web statistics
Uma bizarra teoria diz que só há um eletrão no Universo



Coleção Wheeler / Wikipédia

O físico norte-americano John Archibald Wheeler (1911-2008)

Quantos eletrões existem no Universo? Uma teoria ousada, avançada em 1940 por John Wheeler, sugere que poderá existir apenas um. Mas a bizarra teoria tem… alguns problemas.

É difícil saber ao certo quantos eletrões existem no Universo. Em 1938, o físico britânico Artur Eddington propôs um número, que é agora conhecido como o ‘número de Eddington‘.

O cálculo de Eddington era na verdade para o número de protões no Universo, mas com base no nosso conhecimento da física do Universo primitivo, e das propriedades conhecidas da força eletromagnética, podemos assumir que este é o mesmo que o número de eletrões.

O número de Eddington era 1,57×1079. Infelizmente, esta estimativa baseava-se numa física bastante duvidosanota ou Foco científico da BBC. Estimativas mais modernas colocam este número ligeiramente mais alto, em quase 1080 (isto é, 1 seguido de 80 zeros).

No entanto, segundo o físico teórico americano John Wheelerpoderá existir apenas um eletrão no Universo. A história por detrás desta ideia foi relatada pela primeira vez pelo físico Richard Feynmandurante o discurso de aceitação do Prémio Nobel da Física, em 1965.

Segundo Feynman, Wheeler telefonou-lhe na primavera de 1940, e disse-lhe: “Sei porque é que todos os eletrões têm a mesma carga e a mesma massa“. Quando Feynman lhe pediu que detalhasse a sua afirmação, Wheeler disse simplesmente: “porque são todos o mesmo eletrão!

Wheeler tinha percebido que, matematicamente falando, os eletrões e as suas antipartículas, os positrões, podiam ser pensados ​​como a mesma partículamassa moverem-se em direções opostas através do tempo: os eletrões têm carga negativa e movem-se para a frente através do tempo, enquanto os positrões têm carga positiva e movem-se para trás.

Mas, pensou Wheeler, as partículas podiam mover-se através do ‘espaço-tempo’ de formas complexaspelo que uma única partícula podia traçar um ‘nó’ apertado de incontáveis trajetórias no espaço e no tempo.

Assim, poderíamos ver esta partícula manifestar-se em múltiplas localizações simultaneamente, dando a impressão de que são partículas diferentesWheeler sugere.

Os eletrões que vemos corresponderiam às trajetórias que se movem para a frente através do tempo, e os positrões às trajetórias que se movem para trás através do tempo.

A ideia de Wheelee tem, porém, alguns problemassendo o mais importante o facto de haver no Universo muito mais eletrões do que positrõestal como há mais matéria do que antimatéria, enquanto a teoria do eletrão único sugere que estes deveriam ser iguais.

Wheeler sugeriu originalmente, de forma pouco convincenteque os positrões em falta poderiam estar ‘escondidos’ algurestalvez dentro dos protões.

Wheeler nunca deu continuidade a esta teoria do eletrão único (e na verdade, mais ninguém o fez). É agora considerada uma ‘experiência mental’ interessantemas descartada; porém, a ideia da inversão temporal dos eletrões e positrões foi, mais tarde, uma grande influência em alguns dos trabalhos de Feynman.



Source link