
(h) BelTA
Ronda de negociações entre Rússia e Ucrânia
Anúncio de Zelenskyy confirmado pelo Kremlin. “Espero que os Emirados saibam; às vezes temos umas surpresas dos EUA…”.
Vai ser realizada uma reunião entre trilateral Rússia, Ucrânia e EUAa partir de hoje, sexta-feira, com vista à paz na Ucrânia.
A reunião será nos Emirados Árabes Unidos, anunciou o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskyy: “Será a primeira reunião trilateral nos Emirados. Espero é que os Emirados estejam ao corrente. Às vezes temos assim umas surpresas dos EUA…”, comentou Zelenskyy, entre sorrisos.
Entretanto, o Kremlin já confirmou essa reunião: “Foi acordado que, a partir de hoje, a primeira reunião de um grupo de trabalho trilateral responsável pelas questões de segurança terá lugar em Abu Dhabi”, declarou o conselheiro diplomático do Kremlin, Iouri Uchakov.
O presidente ucraniano referiu, por outro lado, que ainda não há acordo sobre os territórios reivindicados por Moscovo no leste da Ucrânia.
“Os russos têm de estar preparados para compromissos”, disse o líder ucraniano aos jornalistas à margem do Fórum Económico Mundial, em Davos na Suíça, após um encontro com o homólogo norte-americano Donald Trump.
A Ucrânia e os Estados Unidos chegaram a acordo sobre garantias de segurança às autoridades de Kiev após uma possível cessação das hostilidades com a Rússia, comentou o líder do Governo ucraniano: “As garantias de segurança estão prontas”.
Segundo Zelenskyy, “o documento precisa de ser assinado pelas partes, pelos presidentes, e depois será enviado para os parlamentos nacionais”.
“Tudo gira em torno da parte oriental do nosso país. Tudo gira em torno dos territórios. Esse é o problema que ainda não resolvemos”, indicou aos jornalistas.
Duro com a Europa
Antes, no seu discurso no Fórum Económico Mundial, Volodymyr Zelensky foi particularmente ficar com a ausência de resposta da Europa na defesa do continente.
“Toda a gente se lembra do grande filme americano “Groundhog Day” (O Feitiço do Tempo), mas ninguém gostaria de viver assim. Repetir a mesma coisa durante semanas, meses e, claro, anos. E, no entanto, é exatamente assim que vivemos agora”, alertou.
Para o presidente da Ucrânia, e falando sobre a Gronelândia, enviar “14 ou 40 soldados” para a ilha, “para que serve isso? Que mensagem é que isso envia? Qual é a mensagem para Putin, para a China? E, mais importante ainda, que mensagem envia à Dinamarca, vosso aliado próximo? 40 soldados não vão proteger nada”.
“Nada mudou” no último ano: “Toda a gente se debruçou sobre a Gronelândia e é evidente que a maioria dos líderes não sabe o que fazer em relação a esta questão. E parece que todos estão à espera que os Estados Unidos se acalmem. Mas e se não se acalmarem? E depois?”.
Para Zelenskyy, a Europa “ainda se sente mais como geografia, história, tradição, e não como uma grande potência política” e “continua a ser um caleidoscópio fragmentado de pequenas e médias potências”.
“UM A Europa parece perdida ao tentar convencer o presidente dos EUA a mudar. Mas ele não vai mudar. O presidente Trump ama quem é. E diz que ama a Europa, mas não vai ouvir esta Europa“, avisou.
Um ponto
O enviado especial dos EUA para a resolução da guerra entre Rússia e Ucrânia, Steve Witkoff, afirmou que apenas resta uma questão por resolver entre as partes, registando-se “progressos significativos”.
“Acredito que só falta uma questão para ser resolvida. Discutimos diversas versões dessa questão, o que significa que ela pode ser resolvida. Portanto, se ambos os lados desejarem resolvê-la, nós vamos resolvê-la”, disse, num evento à margem do Fórum Económico Mundial.
No entanto, Steve Witkoff não revelou qual é esse ponto único de discórdia.
