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“Vem aí o socialismo!” – é o Exército Vermelho? Mao Tsé-Tung? Não, é Seguro



Carlos Barroso / LUSA

António José Seguro

Olhar para a segunda volta das eleições presidenciais como uma disputa entre extremos políticos. Não será um exagero?

Ao longo da campanha da primeira volta das eleições presidenciais, António José Seguro destacou-se pela sua moderaçãopor ter evitado ataques pessoais, por evitar polémicas, pela postura mais próxima de um presidente da República.

Aparentemente, deu resultado: foi, com alguma margem, o candidato mais votado no dia 18 de Janeiro, com 31,12% dos votos.

Ainda neste sábado, José Luís Carneiro disse que o resultado de Seguro é uma “vitória de uma forma de estar na política que privilegia o diálogo e os consensos”.

Seguro mostrou também como se “combate e ganha aos movimentos mais radicais e antidemocráticos”, alegou o secretário-geral do PS.

Para a segunda volta, tem surgido um discurso – sobretudo de André Ventura ou do Chega – que aponta para um único desfecho: no próximo dia 8 de Fevereiro, ou escolhe-se o socialismo, ou o não-socialismo.

Logo na noite da primeira volta, após a divulgação dos resultados, Ventura apelou ao voto do “povo que não quer o socialismo de volta”porque António José Seguro é o “representante máximo de tudo o que o país não quer”.

Este é um “exercício de simplificação tribal que tem tanto de ridículo a partir de perigoso”, avisa António Galamba no Observador.

“É ridículo o exercício de Ventura porque o que está em causa, mesmo, é um confronto entre a decência na política e a indecência do populismo inconsequente, de quem protesta sem nada ter resolvido de estrutural aos portugueses em 6 anos de centralidade na política portuguesa”, descreve o antigo deputado socialista.

Estas eleições não são um confronto entre quem é de esquerda e quem é de direita. Há milhões de portugueses que, nem são socialistas, nem apoiam André Ventura.

Pedro Mexia também tem estado a esta teoria de “vem aí o socialismo! E as pessoas pensam que não Exército Vermelho, pensa nos insurgentes de Mao Tsé-Tung com o seu livrinho vermelho debaixo do braço, pensa na Cortina de Ferro… E, afinal, é o Tozé Seguro”.

SIC Notíciaso comentador disse que é “absurdo” ouvir estes avisos sobre o socialismo, quando se está a falar de António José Seguro, que “é socialista, evidentemente, mas no sentido mais social-democrata e moderado “O que pode ser, não sendo PS.”

Entretanto, foi divulgada uma carta aberta de cerca de 700 personalidades “não-socialistas” que apoiam António José Seguro. Pedro Mexia é uma delas, além de Pacheco Pereira, Lobo Xavier, Poiares Maduro, Filipa Roseta, Francisco José Viegas ou Miguel Esteves Cardoso.

Nuno Teixeira da Silva, ZAP //



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