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Miguel Oliveira acaba em quinto na Catalunha entre o susto provocado por Bagnaia – Observador Feijoada

ByEdgar Guerreiro

Set 3, 2023

Tinha todas as condições de ser a primeira corrida sprint no pódio, mostrou apesar do mau arranque que era um objetivo alcançável, tornou-se inacessível a partir do momento em que o pneu dianteiro acabou e fez com que tudo se tornasse apenas numa situação de damage control. Apesar daquele início de fim de semana com uma sessão de treinos livres que parecia dominada mas que terminou com um enganador 14.º lugar, Miguel Oliveira arrancou para um sábado como há muito não tinha onde foi o melhor na última sessão de treinos livres apesar da queda sem consequências na curva 5, passou a Q1 com uma volta canhão que se aproximou do recorde de pista estabelecido por Aleix Espargaró e conseguiu mesmo a melhor qualificação do ano com uma terceira posição que permitia sair da primeira linha. Depois, na corrida sprint, acabou em sexto.

O mau início levou a um fim que sabe a pouco: Miguel Oliveira fica em sexto na corrida sprint do GP da Catalunha

“Estou satisfeito com o desempenho. Claro que esperava um pouco mais na corrida sprint, mas não consegui fazer mais. O pneu dianteiro acabou ao fim de sete ou oito voltas [em 12], pelo que não conseguia virar ou travar e tentei apenas evitar cair. Foi verdadeiramente uma pena porque sentia que tinha um bom ritmo e velocidade mas não houve nada que pudesse ter feito. As duas Aprilias no pódio também é um bom indicador. Vamos tentar perceber o que podemos fazer para evitar a degradação do pneu da frente e tentar ser o mais rápido possível”, apontou o piloto português após a sexta posição na sprint, que foi ainda assim o segundo melhor resultado do ano na corrida ao sábado apenas superado pelas Américas.

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Cerrou dentes, passou a Q1, voou na Q2 e quer mais: Miguel Oliveira consegue melhor qualificação do ano na Catalunha

“Achava que era possível meter-me na Q2 mas fazer já primeira fila achava um bocadinho mais complicado… A equipa acabou por fazer algumas modificações na mota que ajudaram bastante, eu também consegui melhorar bastante a condução desde ontem [sexta-feira] e encontrar-me bem com todas as condições. Entrar na primeira linha é bastante positivo para nós. Silverstone? Não vou dar meia volta de avanço de ninguém agora… Mas sim, é uma boa ajuda sair da primeira linha e por isso agora é escolher o melhor a nível de setting da mota e também dos pneus”, tinha destacado à SportTV após o terceiro lugar na Q2 de manhã, recordando também o Grande Prémio da Grã-Bretanha onde saiu de 16.º e foi a tempo de ficar em quarto.

Parecia tão fácil que se tornou impossível: Miguel Oliveira andou sempre no top 10, desceu e vai ter de passar pela Q1

Sobrava também uma boa notícia: mais uma vez, o Falcão partia da frente. A capacidade da RNF Aprilia do português nas saídas não tem sido particularmente boa ao longo da época mas a descida do terceiro para o oitavo lugar na primeira volta da corrida sprint permitia em paralelo perceber o que poderia ser feito de diferente para, dentro da moto que tem menos capaz nesse capítulo, não cair tantas posições e lutar a partir daí com os pilotos da frente, sobretudo as duas Aprilias de Aleix Espargaró e Maverick Viñales, a Ducati de Pecco Bagnaia (com Jorge Martín por perto) e a KTM de Brad Binder. E com esse objetivo mínimo possível, que era terminar pelo menos entre os seis primeiros como tinha acontecido na corrida sprint, o que permitiria ultrapassar os 13 pontos conseguidos nos fins de semana das Américas e de Silverstone.

Mais uma vez, à semelhança do que acontecera em tantas outras corridas, o início foi um verdadeiro caos em dois momentos diferentes: primeiro, ainda na curva 1, uma escorregadela de Enea Bastianini por dentro fez com que cinco pilotos fossem logo ao chão num acidente que envolveu também Álex Márquez, Johann Zarco, Fabio Di Giannantonio e Marco Bezzecchi (com quem conseguisse a tentar ainda levantar a moto após a queda para continuar, como se viu o francês fazer); a seguir, e num momento de maior gravidade, Pecco Bagnaia foi ao chão e acabou por ser atropelado na zona das pernas pela KTM num momento que também fez com que Brad Binder caísse. Gerou-se uma enorme apreensão com bandeiras vermelhas.

A corrida estava interrompida, com a assistência ao campeão mundial italiano a ser longa antes de aparecer um polegar de uma das pessoas que estava nesses cuidados que deu um primeiro sinal de maior acalmia à Ducati, às pessoas mais próximas do transalpino, aos pilotos e aos adeptos nas bancadas. Voltava tudo à estaca zero, com Miguel Oliveira a ver anulado um arranque muito inteligente que lhe permitia manter o terceiro lugar: saiu bem, perdeu depois um pouco de terreno mas fez a curva 1 por dentro para voltar às posições da frente, escapando a toda a confusão criada por um acidente sozinho de Bagnaia.

Jorge Martín conseguiu saltar para a frente na nova saída, com Miguel Oliveira a tentar o mesmo arranque mas sem a trajetória que conseguira na partida anterior, ficando ainda assim na quarta posição antes de Maverick Viñales passar para a liderança seguido de Martín, Aleix Espargaró e do Falcão português, que se ia mostrando ao vencedor da corrida sprint e conseguiu na terceira volta ficar com o melhor tempo feito até esse momento com 1.40,524. Um pouco à frente, Maverick conseguia descolar e Aleix Espargaró apontava com sucesso ao segundo lugar de Martín, abrindo espaço para também o português subir a terceiro.

Mais atrás, já depois do abandono de Pol Espagaró com problemas na moto, também Brad Binder, em oitavo, acabou por deixar a prova, deixando a Johann Zarco, Jack Miller, Álex Márquez e Fabio Quartararo a missão de “colar” em Jorge Martín para tentar depois uma chegada às três Aprilias que andavam na frente (a outra Aprilia de Raúl Fernández rodava em 12.º). Lá na frente, imperava a lei do mais forte: Maverick e Espargaró dominavam por completo nas posições 1-2 e Miguel Oliveira tentava minimizar as perdas para as motos de fábrica da Aprilia, ficando a dois segundos de diferença com Martín a voltar a passar de novo o português. Ficava essa dúvida: era estratégia para gerir a corrida ou o pneu dianteiro começava a dar problemas, condicionando a possibilidade de um eventual regresso ao pódio 11 meses depois do triunfo na Tailândia?

Após ser ultrapassado pelo espanhol da Ducati, Miguel Oliveira colou na traseira de Jorge Martín para não perder mais tempo quando estava a rodar em 1.41,3, abaixo do que conseguira fazer no início. Em paralelo, as informações que chegavam era que Pecco Bagnaia e Enea Bastianini (com um problema na mão) iriam seguir para o hospital mais próximo para mais exames, com o líder da Ducati a tentar despistar “possíveis pequenas fraturas no tornozelo e no pé”. A corrida atravessava uma fase mais monótona a não ser na luta pela sexta posição, com cinco pilotos muito próximos na discussão pelos melhores lugares no top 10, e confirmava-se que o Falcão estava numa fase de novo damage control, a dois segundos de Martín e com Zarco a meio segundo a nove voltas do fim, sendo mesmo ultrapassado a quatro voltas do final para ficar em quinto com o segundo melhor resultado do ano na festa da Aprilia, que fez 1-2 com Aleix Espargaró a ganhar.





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