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As “receitas” das Conferências do Estoril para um mundo melhor – Observador Feijoada

ByEdgar Guerreiro

Set 4, 2023

Para o diretor desta escola, Pedro Oliveira, a primeira dessas ideias de futuro é “a própria importância de fóruns como este, em que sentamos à mesma mesa cientistas, académicos, políticos, empresários e ativistas empresariais. Estamos num mundo muito polarizado, muito dividido, e este tipo de diálogos é mesmo muito importante”, diz ao Observador.

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Mas, como professor e diretor de um estabelecimento de ensino, Pedro Oliveira não podia deixar de destacar a importância da educação. “Recordo varias palestras, como a do Luís Cabral, que sublinhou o papel da educação informal, que passa também pelo cuidado. Na realidade, a educação começa quando os miúdos começam a ouvir as primeiras palavras e há milhões que nem sequer ouvem muitas, o que tem um grande impacto no seu desenvolvimento.” O dean da Nova SBE está, no entanto, muito consciente de que, nas nossas sociedades, apesar da consagração constitucional dos direitos do cidadão, nem todos partem do mesmo ponto: “O ensino superior é uma super-droga, que tem um efeito muito benéfico em quem tem o privilégio de o frequentar. Mas falei em privilégio de propósito”. E concretiza: “Como vimos também nestas Conferências, não partimos todos do mesmo sítio. Hoje só chegam à universidade alunos excecionalmente bons. Estão a ficar para trás outros muito bons, mas o que me preocupa mais são aqueles que nem sequer se candidatam porque ficaram pelo caminho. E muitas vezes ficaram para trás porque não tiveram condições financeiras para terem bom aproveitamento ou equacionarem a possibilidade de frequentar o ensino superior”.

O que fazer nestes casos? Pedro Oliveira considera que “temos de estar atentos e dar acesso, o acesso ao ensino superior tem de ser massificado“. E dá o exemplo de  Hugo, o jovem cabo-verdiano que, em vários momentos, subiu ao palco das Conferências para tocar piano. “Houve um colega meu que o ouviu tocar muito bem durante os trabalhos preparatórios das Conferências e foi saber quem era. Percebeu que era um jovem sem estudos formais de música, de uma família com problemas financeiros, mas que queria muito tocar piano. E fê-lo muito bem”.

Para reparar os efeitos das desigualdades sociais no acesso ao ensino superior, Pedro Oliveira defende um programa de bolsas de estudo: “Aumentámos em 56% o apoio a bolsas, este ano demos mais de um milhão e meio  de euros em bolsas de mestrado, o que corresponde a 400 bolsas”. O que, em seu entender não basta: “Temos um bom programa de bolsas, mas sabemos que as estamos a dar a quem já tem condições para chegar ao ensino superior.”

Das conclusões saídas destas Conferências, destaca ainda “a importância de se abraçar a Inteligência Artificial, mas garantindo que é o ser humano que está no palco”: “Tem de ser algo que nos facilite a vida e que não nos torne ainda menos sociáveis”.



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