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“Sinto que ainda estou a começar” – Observador Feijoada

ByEdgar Guerreiro

Set 7, 2023

Um escritor falhado acaba umas férias num resort de luxo numa relação improvável com Mia Goth, depois de ter lutado contra uma versão de si mesmo, em modo canino, na ressaca de uma perseguição. Quem imaginaria que esta ideia poderia sair da cabeça de um Brandon Cronenberg, realizador de 43 anos — filho de um dos mais conceituados cineastas do género (David Cronenberg, de “A Mosca” ou “Crash”) –, rapaz que aparenta nervosismo nato mas com estatuto suficiente para mostrar o seu”Piscina Infinita”, filme que se estreia no Motelx como convidado de honra, onde também terá uma masterclass e uma retrospetiva. O festival lisboeta decorre entre os próximos dias 12 e 18 de setembro, ao mesmo tempo do Festival Guiões, que decorrerá entre 13 e 17 deste mesmo mês.

Depois de “Antiviral” (2012) e de “Invasores de Mentes” (2020), Brandon Cronenberg decidiu abraçar uma tendência, a do cinema vingar-se nos homens e mulheres abastados. O realizador canadiano que, tal como o pai, anda a brincar com o género de horror sempre mais pelo lado mental, tem, porém, uma abordagem mais cínica. É que se em “White Lotus” (HBO) ou “Triângulo da Tristeza” (de Ruben Ostlund), algumas das personagens ricas acabam mortas, em “Piscina Infinita”, é a impunidade que reina. À proucra de inspiração, James Foster (Alexander Skasgard) vai com a mulher para numa ilha paradisíaca, mas rodeada por pobreza e crime. Encanta-se por Gabi (Mia Goth, estrela de terror em ascensão), seguindo-lhe os passos rumo a um grupo restrito e obscuro de ricalhaços que infrigem a lei. Sempre que vão presos, acabam com pena de morte. Só que não morrem. Quer dizer, morrem. Ou vá, quem morre são os seus clones. Se não há consequências na ilha, o melhor é infringir todas as leis, como um grupo infantil de pequenos rebeldes que se sente imortal.

James deixa-se seduzir pela impunidade, onde o falhanço deixa de existir, sentido-se como um dos seus pares sem nunca realmente ser. “Em ‘Triângulo da Tristeza’, acho que há vingança em relação aos mais ricos. Não tenho nada contra o filme, mas é para o público ter prazer. Não acho que isso exista neste filme, os protagonistas não têm o que merecem. E porquê? Porque é mais realista. Os poderosos têm o poder para não pagar pelo que fizeram, para não terem o que merecem. A minha abordagem é mais cínica”, contou o realizador em conversa com o Observador.

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