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6 destaques da Semana da Moda de Nova Iorque – Observador Feijoada

ByEdgar Guerreiro

Set 14, 2023


Espaço para o novo e para bizarro, com os habituais fait divers que têm tanto de volatilidade como de incontornáveis a disputarem um lugar no programa das festas. Chegou ao fim esta quarta-feira mais uma Semana da Moda de Nova Iorque, com a propostas para a primavera-verão 24 a arrancarem, como habitual, do outro lado do Atlântico, antes da escala londrina.

Se é de coleções que se fala, com o regresso de Ralph Lauren, ou a estrela de Peter Do na Helmut Lang, este é também o tempo de uma Gisele sem calças, de pares inesperados que roubam atenções em qualquer court da rentrée, e até da famosa golpista Ana Delvey, que usou o telhado do seu bloco de apartamentos em East Village para mostrar ao mundo o desfile de estreia de Yang Shao, depois de ter unido forças a Kelly Cutrone para formar a agência Outlaw (isso, um mais que apropriado “fora da lei”).

Regressando ao essencial, as criações dos designers, destacamos seis apresentações que antecipam o próximo ano, entre consagrados e recém chegados que merecem atenção redobrada.

De JLo a Diane Keaton, de Laura Dern a Amanda Seyfried e Julianne Moore. O elenco de celebridades ficou devidamente composto para aquele que era o aguardado regresso de Ralph Lauren. Parecendo que não, a última presença no calendário de Nova Iorque remonta a setembro de 2019, ainda a pandemia de Covid-19 se costurava ainda em inimagináveis sonhos/pesadelos. Na memória desse mundo pré-armagedão perdura o glamour que circulou pelo Ralph’s Club, o mítico cenário que o criador a caminho dos 84 anos idealizou em Wall Street. Um cabaret lendário ao qual acorreu a A-List e ainda a voz de Janelle Monae, que interpretou então um medley com os hits da era Jazz. Dos primórdios do século passado para um ambiente que nesta edição se deixou guiar pelo ambiente do rancho de Ralph Lauren no Colorado. Os convidados disseram até já a Manhattan e seguiram para Brooklyn, onde a partir de um armazém vazio com lustres suspensos Lauren reinventou a fórmula americana num tempo de efemeridades. A recuperação do logo RL, o tradicional trabalho sobre o denim e a cereja ao cair do pano: Christy Turlington fechou o desfile com um longo vestido dourado lamé com um ombro a descoberto.

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Onde antes foi o preto praticamente em modo integral, agora, no Woolworth Building, a cor manifestou-se na sua mais exuberante vertente e o styling pôs em mute a ominipresente toada “quiet luxury”. Para alguém como Willy Chavarria, que cruza a vitalidade do street wear com os corredores da indústria, (ele que se tornou senior vice president de design da Calvin Klein), o produto final aproxima redutos aparentemente inconciliáveis. Mas no final, está tudo certo. Ao sportswear juntam-se preceitos de alfaiataria, e até o underwear vem animar e desconcertar a equação vencedora. Uma coleção masculina onde chapéus de cowboy coroam looks à base de bombers e calças ultra baggy, golas femininas e delicadas flores na lapela casam com blazers overzised e inspiração colegial. Em tons de negro, dourado, azul celeste, lilás e encarnado, ora mais minimalista ora mais sanguíneo, estamos prontos para este rodeo urbano.

Do enigmático Lang para o não menos esquivo Peter Do, o designer que raramente se deixa fotografar, e quase sempre de costas quando tal raridade acontece. Ao leme da icónica marca que Helmut (o designer invisível, como lhe chamou em tempos a revista New Yorker) abandonou em 2004, boa parte das atenções da semana concentravam-se sobre o vietnamita. Foi logo no primeiro dia da Semana da Moda de Nova Iorque que o mais recente diretor criativo da Helmut Lang apresentou a sua primeira c0leção. Com o compromisso de seguir o legado minimalista da etiqueta germânica, e restaurar a vitalidade saída de finais de 90 e começo de 2000, Peter Do fez desfilar peças de alfaiataria que se ajustam às medidas de uma metrópole, com a dupla preto e branco a deixar-se polvilhar pelo rosa magenta e pelo amarelo. O sportswear intromete-se na formalidade dos fatos e à falta de bandeiras motivacionais, os tank tops interpelam nas suas mensagens. “Quando foi a última vez que tu foste tu?”.


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Nos 50 anos da obra de Ira Levin, Rosemary’s Baby (A Semente do Diabo) norteou a ementa de Joseph Altuzarra, que dispôs um exemplar sobre cada assento reservado aos convidados. A referência não é nova — a coleção do designer para a primavera de 2015 seguiu o fio à meada do filme de Roman Polanksi. Para um renovado capítulo, mais cru e despojado, a preferência pelo tule, os vestidos baby doll ou em versão slip, os acabamentos livres de acabamento, numa espécie de couture sombria que tanto bebe da estética dos anos 50 e 60 do século passado como abranda nuns 90 tão clean e elegantes como sorumbáticos.

Luxo relacionável, depurado, silencioso e no entanto com o magnetismo certo para ir além do território infalível dos neutros. À paleta em questão juntou-se um tom precioso, nesse trajeto vencedor entre castanho e rosa que aquece as propostas para a próxima primavera verão. A grande estreia da marca conduzida por Paul Helber responde à demanda de movimento num cenário íntimo. A apresentação decorreu ao meio dia de dia 10, no estúdio da Fforme, no Soho, como uma brisa que se efetiva quando cada peça cumpre a sua função. “Penso que as nossas roupas ganham vida quando as vemos em alguém”, descreveu à Vogue sobre esse alinhamento de looks. Elegantes, intemporais, contemporâneos, e prontos a usar, na sua reformulação do espaço e das formas.

Uma fluidez hiper feminina, a desconstrução do denim e a alfaitaria em cumplicidade com vestidos etéreos, quais evocações de medusas e polvos que respondem ao chamamento do mar — a tudo isto pôde assistir quem acorreu ao distrito financeiro, no Sunken Garden de Isamu Noguchi, em frente ao edifício do Chase Manhattan Bank. “Quis abraçar a imperfeição”, confessou à Vogue o designer também conhecido por vestir a antiga primeira-dama norte-americana Michelle Obama. Os estampados para esta estação foram inspirados em desenhos científicos saídos dos anos 30 do século passado e gravuras do século XIX. E para um fast forward que nos devolve em segundos ao presente-futuro próximo, o contraste com o vídeo gerado pela IA, em colaboração com o artista Matthie Grambert.



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