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O problema europeu – Observador Feijoada

ByEdgar Guerreiro

Set 15, 2023

Esta semana, Ursula von der Leyen fez o seu discurso anual sobre o Estado da União no Parlamento Europeu. Ao contrário dos anos anteriores, em que o foco foi compreensivelmente quase exclusivo na questão Ucraniana, este ano von der Leyen decidiu também proferir algumas palavras sobre matérias económicas, num discurso apelidado de “pro-business”. Anunciou que pretende não só consertar a economia Europeia, que parece estar numa conjuntura negativa, com previsões de abrandamento económico juntamente com persistência de níveis de inflação elevados, mas também dar prioridade a recuperação da competitividade da economia Europeia. Para isso, anunciou a nomeação de Mario Draghi como seu special adviser, a quem encomendou um estudo sobre o futuro da competitividade na União Europeia. “It is time to make business easier in Europe”, nas palavras da chefe do colégio de comissários.

Claro que, nestes discursos, nunca se admite a existência de um problema gravíssimo de forma directa. No entanto, nas entrelinhas, percebemos que estas palavras representam uma mudança face ao discurso dos últimos anos. Alguns interpretaram a mudança como sinal de que o partido da actual comissária, o Partido Popular Europeu, de centro-direita, quer cultivar apoio junto da indústria e do sector privado antes das eleições Europeias que decorrerão no próximo ano. No entanto, penso que esta não é a única razão. As palavras de von der Leyen, por enquanto muito subtis, resultam também da consciência crescente de que há um problema mais estrutural de competitividade e crescimento económico na Europa. Este problema não é apenas conjuntural. É, isso sim, uma questão que, ao longo dos últimos meses, tem vindo a ganhar espaço crescente na imprensa internacional e terá certamente a atenção das elites económicas e tecnocráticas na Europa.

O problema é o seguinte: quando comparado com os Estados Unidos, o bloco europeu parece ter divergido de forma significativa desde 2008. Em 2008, o PIB da União Europeia como um todo era ligeiramente maior que o PIB dos EUA. A U.E. produzia anualmente o equivalente a 17.63 triliões de dólares internacionais, uma moeda que controla para os diferentes níveis de poder de compra, e os EUA 16.86 triliões de dólares de internacionais. Quinze anos depois, e controlando para inflação, a situação inverteu-se. Os Estados Unidos têm hoje um PIB anual superior ao de toda a União Europeia. Note-se que a UE tem bastante mais população que os EUA, com 448 milhões de europeus versus 330 milhões de norte-americanos. Ou seja, per capita, os norte-americanos são agora substancialmente mais produtivos que os europeus. O PIB per capita norte-americano é hoje 64.703 dólares internacionais, mais de 41% superior ao PIB per capita europeu, que se fica pelos 45.713 dólares internacionais, mais uma vez controlando para a inflacção e para as diferenças de poder de compra. Este não é um artefacto dos dados. Utilizando outras moedas de referência, por exemplo, o dólar, controlando ou não para inflação, as tendências são semelhantes e estão lá. Houve uma divergência económica dos dois blocos ao longo dos últimos 15 anos.

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