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Investigação jornalística deteta potencial fraude em artigos científicos do ministro da Saúde italiano – Observador Feijoada

ByEdgar Guerreiro

Set 18, 2023

A intensa atividade científica, nomeadamente através da publicação de artigos científicos, de Orazio Schillaci, enquanto desempenha as funções de ministro da Saúde italiano e, anteriormente, como diretor da Faculdade de Medicina da Universidade de Tor Vergata e reitor da universidade, levaram o jornal italiano Il Manifesto a investigar a atividade científica do médico italiano. Pelo menos oito artigos publicados entre 2018 e 2022 apresentam imagens duplicadas. 

“Reutilizar a mesma imagem de microscópio para ilustrar coisas completamente diferentes numa publicação científica põe, inevitavelmente, em causa a sua validade, embora não signifique, necessariamente, fraude. Pode acontecer a qualquer um misturar dois arquivos por engano”, escreveu a publicação de esquerda sobre o ministro do governo de extrema-direita de Giorgia Meloni.

“No entanto, quando o mesmo erro acontece com demasiada frequência, isto deve fazer soar o alarme nos responsáveis do laboratório: pode haver um investigador em particular que seja demasiado distraído ou desonesto, a menos que toda a equipa esteja conspirando para cometer fraude.”

Quando questionado sobre as duplicações encontradas — que podiam ter legendas totalmente distintas consoante o artigo científico (num eram células de cancro da próstata, noutro era cancro da mama, por exemplo) —, Orazio Schillaci disse que era a primeira vez que tinha conhecimento dessa situação e que não era especialista em microscopia.

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Não se sabe, de facto, quem terá usado de forma abusiva as imagens, mas o médico era o responsável pela concepção da experiência, supervisão e validação, o que para todos os efeitos o torna também responsável pela qualidade e veracidade do trabalho apresentado.

A revista Science consultou especialistas em integridade das imagens para avaliar os resultados da investigação jornalística do jornal Il Manifesto que confirmaram a duplicação ainda que não possam afirmar se foi intencional ou não. “Pode ser negligência no seguimento de cada imagem, ou haver intencionalidade, porque as imagens enquadram-se sempre na narrativa [do artigo]”, disse Elisabeth Bik, microbióloga holandesa e consultora de integridade científica. “De qualquer forma, isto levanta dúvidas sobre o rigor de outras resultados experimentais deste laboratório.”

Os especialistas ouvidos pela Science defendem que a Universidade de Tor Vergata deve conduzir uma investigação, mas a universidade não respondeu às questões levantadas pela revista.



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