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O pensamento mágico na inflação – Observador Feijoada

ByEdgar Guerreiro

Set 19, 2023

No mundo mágico que nos oferecem, o BCE não aumentava as taxas de juro, os governos continuavam a meter-nos dinheiro no bolso e, magicamente, a inflação diminuía e a economia e o emprego cresciam. Melhor do que isto só mesmo aquela criança que, quando os pais dizem que não têm dinheiro, lhes responde ‘vai ali à parede tirar’. É lamentável que alguns protagonistas políticos tenham a irresponsabilidade, sem peso na consciência, de alimentar esse pensamento mágico, em vez de aproveitarem a oportunidade para explicar os efeitos da inflação e de como é muito mais nefasta do que a subida dos juros.

O governador do Banco de Portugal Mário Centeno, em entrevista ao El Pais, explica esse efeito. “A inflação é mais regressiva e socialmente injusta do que as medidas que usamos para a combater”, afirma Centeno numa frase que, apesar de não ser fácil de compreender para todos, devia aparecer sempre que alguém se lembra de criticar a subida dos juros. Claro que o governador do Banco de Portugal faz parte do grupo dos que consideram que não devia ter existido esta última subida, que o BCE devia esperar para ver os efeitos de um agravamento dos juros realizado a uma velocidade muito acelerada.

Mas pelo menos neste momento Mário Centeno já não usa o argumento da inflação do lado da oferta e que não é preciso aumentar os juros porque não se influencia o preço da energia, o peregrino argumento que até Christine Lagarde utilizou e que levou o BCE a atrasar-se na decisão de subida dos juros. E a iludir as pessoas de que ia ser possível manter aquelas taxas de juro historicamente baixas, mesmo com a inflação a subir. Nunca saberemos a dimensão, mas se o BCE tivesse começado mais cedo a subir os juros muito provavelmente precisávamos de usar uma dose inferior de aperto monetário para reduzir a inflação.

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