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Alemanha desiste dos e-fuels por falta de apoio e excesso de preço – Observador Feijoada

ByEdgar Guerreiro

Set 24, 2023

Os países europeus que mais dependem da indústria automóvel pressionaram a União Europeia (UE) para aceitar os combustíveis sintéticos neutros em carbono – produzidos sem recurso a derivados de petróleo, mas sim a carbono capturado da atmosfera e a hidrogénio produzido a partir da electrólise da água – como combustíveis limpos, como se tratassem de veículos eléctricos a bateria ou a fuel cell. Esta pressão deveu-se ao peso da Alemanha na UE, onde é o maior contribuinte, mas tratou-se igualmente de um abuso, uma vez que os e-fuels são neutros em carbono, mas poluem sempre que são queimados, o que significa que contribuem para deteriorar a qualidade do ar no centro das grandes cidades.

A UE cedeu às exigências dos construtores, ou seja, dos países onde empregam milhares de trabalhadores e os seus impostos fazem girar a máquina fiscal, mas ainda faltava um detalhe que era forçoso ultrapassar: o preço dos e-fuels, que por sua vez depende do nível de produção. Para pressionar a UE, os germânicos, que por sua vez estavam a ser empurrados sobretudo pela Porsche, que arrastou o Grupo Volkswagen que controla, a que se juntou a Itália sensibilizada pela Ferrari, com a simpatia da França (Stellantis e Renault), Espanha (com a Seat) e República Checa (com a Skoda), estes últimos nas mãos dos alemães que ali fabricam os carros do grupo.

O ministro alemão dos Transportes, Volker Wissing, tem sido o mais vocal em favor dos e-fuels, advogando que estes combustíveis – estamos a falar de gasolina ou até de gasóleo sintéticos – ajudam a reduzir o carbono, apesar disto ser uma falsidade, uma vez que apenas evitam que aumente, o que é diferente. O que Wissing poderia assumir é que os e-fuels permitem que algumas marcas continuem a vender os motores actuais, sem necessidade de investir mais, incrementando os lucros à custa da saúde.

De acordo com o jornal europeu Politico, quando chegou a ocasião de apoiar os e-fuels, apenas a República Checa, o Japão e Marrocos secundaram a Alemanha, muito pouco para o que a Alemanha pretendia. O objectivo era dividir pelo maior número possível de países a factura relativa ao desenvolvimento dos e-fuels, bem como das várias instalações onde o produzir em quantidade necessária para alimentar milhões de veículos. O falhanço a este nível levou a Alemanha a retirar a proposta e a desistir dos planos para incentivar a produção dos combustíveis sintéticos.

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