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Mobilidade. Uma semana a testar soluções em Lisboa – Observador Feijoada

ByEdgar Guerreiro

Set 24, 2023


Ao longo de uma semana, foram dezenas de iniciativas, de tons e conteúdos diversos, para chegar a públicos de todas as idades e interesses. Afinal, só com o envolvimento da comunidade é que Lisboa poderá atingir as metas de redução de emissões de CO2, estabelecidas no Plano de Ação Climática 2030, e integrar o grupo de Cidades Inteligentes e Climaticamente Neutras até essa data.

Falamos da Semana Europeia da Mobilidade, celebrada em mais de sessenta municípios portugueses, iniciada a 16 de setembro e que formalmente terminou no dia 22, mas que na capital se prolongou até hoje devido ao mau tempo que se fez sentir no fim-de-semana passado, que obrigou a alguns ajustes no calendário.

Encerrada ao trânsito desde o final de 2022, quando o piso abateu por causa das chuvadas ocorridas em dezembro, a Rua da Prata poderá reabrir em breve, mas apenas para circulação de bicicletas, peões e elétricos, ficando vedada ao trânsito automóvel. O final das obras de reparação ainda em curso, previsto para novembro, ditará, assim, o princípio desta nova “vida” da rua da Baixa pombalina.

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O anúncio público desta decisão foi feito pelo vice-presidente da Câmara Municipal de Lisboa, com o pelouro da mobilidade, Filipe Anacoreta Correia, aquando da apresentação do projeto BICI – Bloomberg Initiative for Cycling Infrastruture.

Mas poderá haverá mais novidades em matéria de mobilidade suave para o centro histórico da cidade. Esta semana permitiu ainda testar uma ciclovia experimental que, caso tenha continuidade, permitirá estabelecer a ligação definitiva ao rio Tejo a partir das ciclovias que percorrem o interior da cidade (até ao Marquês de Pombal).  A ciclovia “pop-up”, que se uniu aos 173 quilómetros cicláveis da cidade, funcionou até 6ª feira, 22, entre a Praça dos Restauradores e o Rossio, já perto da Rua da Prata e da Rua dos Sapateiros. Ou seja, mesmo em frente ao estúdio móvel da Rádio Observador que, no dia 20, realizou a emissão em direto a partir da Praça D. Pedro IV.

Fruto de uma colaboração entre a Câmara de Lisboa e a Agência de Ambiente e Energia da cidade, a Lisboa E-Nova, o troço esteve sujeito a um inquérito de opinião feito no local e online. Veremos agora o que pensam os utentes.

Estes foram também os dias em que ficámos a saber como Lisboa se tornou uma das cidades distinguidas pela Bloomberg, o que não é coisa de somenos importância quando sabemos que a candidatura foi uma das dez contempladas, entre 274 de mais de setenta países. Trata-se de um financiamento de quatrocentos mil euros (ao qual a CML adiciona dois milhões), que tem como objetivo valorizar a rede de ciclovias existentes. Para tal decisão terá decerto contribuído o facto de a candidatura lisboeta se propor reforçar os percursos para bicicletas entre escolas, criando uma rede que facilite o acesso dos estudantes. Numa fase inicial, esta rede atingirá vinte estabelecimentos de ensino da capital e uma população de cerca de vinte mil estudantes.

O programa, que tem a duração de três anos, foi promovido pela Bloomberg Philanthropies e pela Global Designing Cities Initiative (GDCI), uma organização sem fins lucrativos especializada no apoio a projetos globais de alto impacto e iniciativas filantrópicas estratégicas, e tem como missão transformar ruas em todo o mundo, convidando as comunidades a intervir.

  1. Entre as várias iniciativas abertas ao público, promovidas pela CML, pelas juntas de freguesia ou por associações, é de destacar a quantidade de programas direcionados para crianças. Foi o caso, entre outros exemplos, da iniciativa “Ruas para Brincar na Penha de França”. Durante esta semana, o estacionamento junto à Escola Básica Arquiteto Victor Palla esteve fechado ao trânsito e aberto à brincadeira entre as 17 e 19 horas, no horário de saída. O projeto Brincapé  dinamizou aquele espaço, habitualmente tão diferente, com brinquedos e equipamentos para que as crianças e famílias pudessem usufruir da rua.

Recorde-se que 22 de setembro foi também o Dia Europeu sem Carros, marcado, por isso, por diversas iniciativas relacionadas com a importância de reduzir o tráfego rodoviário nas cidades. A Associação Ambientalista Zero, por exemplo, realizou uma maratona de medições da qualidade do ar em diversos pontos críticos de Lisboa. Para isso foi usado um equipamento de medição da qualidade do ar (transportado em bicicleta), que passou por vários locais. Durante o trajeto foram avaliados níveis de dióxido de azoto ou partículas inaláveis e finas. Criado em França em 1998, o Dia Europeu sem Carros chegou a Lisboa dois anos depois.

Em semana de celebração do 151.º aniversário, a Carris anunciou a entrada ao serviço de 15 novos elétricos com capacidade para mais passageiros, mais longos (28 metros), e, de acordo com a administração da empresa, também “mais confortáveis, silenciosos, modernos e amigos do ambiente”.

Os novos elétricos, num investimento de 40,4 milhões de euros, vão ser utilizados na carreira 15E, a linha mais antiga da cidade, que, neste momento, por causa das obras do Plano Geral de Drenagem de Lisboa, está a fazer a ligação entre Algés e o Cais do Sodré, mas quando a intervenção terminar voltará à Praça da Figueira. Nos planos da Carris, está ainda a extensão desta linha até Santa Apolónia (a oriente) e ao Jamor, já no concelho de Oeiras (a ocidente). Em declarações aos jornalistas, na apresentação dos novos elétricos, o CEO da empresa, Pedro Bogas, revelou “ainda o sonho, a expectativa, de levar a linha até ao Parque das Nações e termos assim o arco ribeirinho com este modo de transporte”.

A 22.ª edição da Semana Europeia da Mobilidade, que hoje termina, teve como tema central ‘Eficiência Energética’ e apresenta-se como uma oportunidade para testar novas formas de mobilidade limpa e é uma das principais iniciativas da Comissão Europeia para a consciencialização da sociedade civil sobre o tema, incentivando mudanças comportamentais em prol da mobilidade ativa, do transporte público e de outras soluções de transporte limpas e inteligentes.

A Semana Europeia da Mobilidade assenta numa parceria entre redes de autoridades locais e especialistas em mobilidade e comunicação, os coordenadores nacionais (representantes de ministérios e agências nacionais) e a Comissão Europeia.

Este artigo faz parte de uma série sobre a Semana Europeia da Mobilidade, evento de que o Observador é media partner. Resulta de uma parceria com a Câmara Municipal de Lisboa. É um conteúdo editorial independente.



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