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É no Norte que mais alunos acabam o secundário no tempo previsto. Já em Lisboa, 3 em cada 10 jovens chumbam entre o 10.º e o 12.º ano – Observador Feijoada

ByEdgar Guerreiro

Out 31, 2023


Em oito anos letivos, o número de alunos de cursos científico-humanísticos que conseguiu fazer o ensino secundário sem chumbar aumentou de forma considerável (24%). Se, em 2014/15, só pouco mais de metade dos jovens portugueses conseguia ir do 10.º ao 12.º ano sem chumbar (55%), esse valor disparou em 2021/22 e quase 8 em cada 10 alunos (79%) faziam o ensino secundário no tempo esperado, ou seja, três anos. As conclusões fazem parte de um relatório da DGEEC, Direção Geral de Estatísticas da Educação e da Ciência, divulgado nesta terça-feira.

Olhando para as regiões do país — que, pela primeira vez, aparecem desagregadas em áreas metropolitanas e comunidades intermunicipais —, percebe-se que os melhores resultados são encontrados no Norte do país. Ali, 85% dos alunos fizeram o secundário no tempo esperado, destacando-se a comunidade intermunicipal do Ave, onde se encontra o valor mais alto do país, 92%.

Em contrapartida, é na área metropolitana de Lisboa e na comunidade intermunicipal do Algarve que se encontram alguns dos valores mais baixos do país, com 73% e 74%, respetivamente, sendo no Alentejo que está o valor mais baixo de todos. Na comunidade intermunicipal do Alentejo Litoral, 68% dos jovens fizeram o secundário em três anos.

Fonte: DGEEC

O relatório da DGEEC olha também para a diferença de resultados entre rapazes e raparigas e entre os alunos das escolas públicas e os das privadas. Na análise por sexo, lê-se no documento, constata-se que são as raparigas que mais concluem o secundário com sucesso no tempo esperado: 83% das alunas fazem-no em três anos, quando só 76% dos rapazes conseguem fazer o mesmo.

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Olhando para a natureza do estabelecimento de ensino, os resultados dos alunos de escolas privadas são melhores: 91% completam o secundário sem chumbar, valor que desce para 78% entre os estudantes da rede pública. “No entanto, é necessário ter em conta que estamos perante valores absolutos cuja ordem de grandeza é substancialmente diferente”, defendem os relatores da DGEEC, recordando que 90% dos alunos frequentavam o ensino público e 10% estudavam no privado.

A análise revela também que os alunos que chegam ao secundário com a idade esperada, 15 anos, têm maior probabilidade de não chumbar. Nestes casos, 83% vão do 10.º ao 12.º ano no tempo esperado, valor que desce para 40% se se entrarem na 10.º ano com 17 anos. O valor cai para 24% se os alunos tiverem 18 ou mais anos quando chegam ao secundário.

Situação idêntica se passa com os alunos que recebem apoio estatal (Ação Social Escolar) por pertencerem a agregados familiares com baixos rendimentos. Nesses casos, 69% dos alunos de escalão A conseguem completar o secundário no tempo esperado, quando o valor é de 79% entre os estudantes que não têm apoio do Estado.

O relatório da DGEEC olha, pela primeira vez, para os efeitos de mudança de curso durante o secundário e conclui que alterar o percurso escolar não impede o sucesso escolar. “Os resultados mostram que, apesar da mudança de curso, é sempre possível concluir no tempo esperado”, lê-se no documento que aponta que entre os alunos que iniciaram um curso científico humanístico pela primeira vez em 2019/20, 4% mudaram para outro curso, e apesar desta mudança, 2% conseguiram concluir no tempo esperado. 



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