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“Momento mais perigoso no Médio Oriente de 1973” – Observador Feijoada

ByEdgar Guerreiro

Abr 11, 2024

A 6 de abril, a imprensa norte-americana avançava que o Irão se estava a preparar para levar a cabo um ataque “significativo” contra Israel. O regime de Teerão procurava uma retaliação contra as autoridades de Telavive após estas terem atacado o complexo diplomático iraniano na capital síria, Damasco, a 1 de abril. Já logo após esse episódio, a diplomacia do Irão avisava que a vingança seria “dura”. 

Ao longo dos últimos dias, os avisos foram aumentando de intensidade. Simultaneamente, esta quarta-feira, o líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, deixou a garantia de que o ataque ao consulado iraniano em Damasco foi como se tivesse sido dentro do “território” do Irão. “O regime malvado deve ser castigado e vai ser castigado”, asegurou numa declaração televisiva.

Os alarmes voltaram a soar. Horas depois das palavras de Ali Khamenei, a Bloomberg noticiou que um ataque iraniano contra Israel estaria “iminente”. O Presidente norte-americano, Joe Biden, assegurou igualmente que os EUA farão “tudo” para “proteger a segurança de Israel”. “Como eu disse ao primeiro-ministro [Benjamin] Netanyahu, o nosso compromisso com a segurança de Israel contra as ameaças do Irão está blindado.”

Israel entrou em alerta. E até conta com o apoio de Washington, de acordo com o jornal Axios: o chefe do comando central norte-americano, Michael Kurilla, deslocou-se ao país. Juntamente com o ministro da Defesa israelita, Yoav Gallant, os dois discutiram um possível ataque — sem precedentes e no que poderiam ser utilizados mísseis balísticos — contra território israelita.

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Neste sentido, o jornal Axios já assinalava que Israel retaliaria contra o Irão em caso de ataque. O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, clarificou um “princípio simples”: “Se alguém nos atacar, nos atacaremos. Estamos prontos para cumprir as nossas responsabilidades na segurança de Israel, na defesa e no ataque”.

Para além de Benjamin Netanyahu, várias entidades reagiram esta quinta-feira a um possível ataque iraniano e Israel. A companhia aérea alemã Lufthansa suspendeu os voos de e para Teerão. A empresa justifica esta decisão com a situação no Médio Oriente e o receio de potenciais ataques iranianos: “A segurança dos nossos passageiros e membros de equipa da Lufthansa é a nossa principal prioridade”.

Adicionalmente, Brett McGurk, o enviado norte-americano para o Médio Oriente, pediu aos ministros dos Negócios Estrangeiros da Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Qatar e Iraque para intervir e tentar reduzir a escalada de tensão entre o Irão e Israel.

E não foram apenas países do Médio Oriente a tentarem evitar um possível ataque. O Kremlin pediu “contenção” no Médio Oriente para evitar que haja uma escalada de conflitos na região. “Agora é muito importante que toda a gente mantenha a contenção para não levar uma desestabilização completa da situação na região, que não se destaca exatamente pela estabilidade e previsibilidade”, destacou Dmitry Peskov, porta-voz da presidência russa.

Do Ocidente, a ministra dos Negócios Estrangeiros da Alemanha, Annalena Baerbock, falou ao telefone, esta quinta-feira, com o seu homólogo iraniano, Hossein Amirabdollahian, pedindo-lhe “restrição máxima” num possível ataque contra Israel.

Na conta do X (antigo Twitter) pertencente ao Ministério dos Negócios Estrangeiros alemão, lê-se numa nota que os dois ministros falaram sobre a “situação tensa no Médio Oriente”. “Evitar uma escalada regional deve ser do interesse de todos”, refere a governante alemã, apelando a que todos “os atores na região ajam responsavelmente” e exerçam “restrição máxima”.

De igual forma, a chefe da diplomacia da Austrália, Penny Wong, falou ao telefone com Hossein Amirabdollahian. No X, a governante sinalizou que o país “vai continuar a trabalhar com parceiros que têm influência na região para pararem o conflito”. “A Austrália está profundamente preocupada com as indicações de que o Irão está a preparar uma ação militar contra Israel.”

Por sua vez, o primeiro-ministro do Reino Unido, Rishi Sunak, condenou as declarações “inaceitáveis” dos responsáveis iranianos. “Nós, como os norte-americanos, apoiamos totalmente o direito de Israel defender-se contra [as ameaças]”, referiu o líder britânico, citado pela Sky News.

Aliás, foi noticiado pela Sky News, que diplomatas britânicos e de outras nacionalidades estão a ser aconselhados a guardar bens essenciais para estarem prontos para um eventual ataque iraniano. Incluindo um rádio, uma vez que a rede móvel pode sofrer disrupções no caso de um ataque.

Todo este contexto levou Marco Rubio, senador republicano que pertence à Comissão dos serviços secretos do Senado norte-americano, a considerar o Médio Oriente vive o “momento mais perigoso desde 1973”, data da Guerra dos Seis Dias, em que o Egito, a Síria e o Iraque atacaram Israel sem sucesso.

Ao final da tarde, o canal israelita Ynet noticiou que o Irão terá adiado o ataque aéreo contra Israel, devido aos avisos e ameaças norte-americanas. Ainda assim, refere a mesma fonte, mantém a intenção de levá-lo a cabo num futuro próximo.





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