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Três filmes para ver esta semana – Observador Feijoada

ByEdgar Guerreiro

Abr 11, 2024

Após um acidente de moto em Saigão, um homem perde a cunhada, fica com o sobrinho de cinco anos, que sobreviveu ao desastre, a seu cargo, e tem que levar a morta de volta à aldeia natal de ambos, aproveitando para procurar o irmão, que algum tempo antes abandonou a mulher e o filho e desapareceu. Influenciado temática e formalmente, bem como no tipo de atmosferas visuais e climas anímicos, e na definição das personagens e suas preocupações espirituais, pelo cinema de outros realizadores asiáticos como Apichatpong Weerasethkul ou Tsai Ming-liang, o vietnamita Thien An Pham assina a sua primeira longa-metragem com No Interior do Casulo Amarelo. É uma fita cinematograficamente elaborada e com uma qualidade quase hipnótica, mas a lentidão de tartaruga, a narrativa inerte e difusa, a quase ausência de movimentação dramática, as três horas de duração e um final brusca e estranhamente interrogativo, constituem um desafio ao espectador mais bem-intencionado.

Philippe Garrel pegou nos filhos Louis, Esther e Lena para interpretarem este filme que homenageia o seu pai, um marionetista, e põe em cena uma família que se dedica a esta arte. O pai dirige a trupe, a avó faz os bonecos e as duas filhas e o filho, juntamente com aquele, dão os espectáculos. Quando o pai morre, de ataque cardíaco, durante uma representação, e a avó fica gravemente perturbada pela perda do filho, a existência da companhia é posta em causa. Neste filme modestíssimo, quase artesanal, como modesta e precária é a vida das personagens, Philippe Garrel fala da transmissão e da continuidade (ou não) de uma arte que pode ser também uma metáfora para o cinema tal como ele o faz. É irónico que uma das personagens seja militante das Femen (toda a família, aliás, parece ser ou comunista, ou de extrema-esquerda) e que, por altura da estreia da fita, o septuagenário realizador tenha sido acusado de assédio sexual por várias atrizes.

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A pouco conhecida Marisa Abela interpreta Amy Winehouse nesta fita biográfica assinada pela realizadora Sam Taylor-Johnson (autora de Para Lá da Música, sobre a juventude de John Lennon), que segue a malograda cantora desde a revelação no mundo na música na sua Londres natal, até à morte prematura, de intoxicação alcoólica aos 27 anos, em 2011, deixando dois álbuns, uma carreira musical tão breve quanto brilhante, um estilo vocal único e uma imagem distintiva. Taylor-Johnson e o argumentista Matt Greenhalgh (Control, Para Lá da Música) estruturaram o filme em redor do romance nefasto entre Amy Winehouse e o seu marido, Blake Fielder-Civil (Jack O’Connell), apontado como o principal responsável pelo comportamento crescentemente auto-destrutivo da cantora, quer pela sua presença ao lado dela, quer pela sua posterior ausência. Back to Black foi escolhido como filme da semana pelo Observador e pode ler a crítica aqui.



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