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A matemática emocional na música de Jlin – Observador Feijoada

ByEdgar Guerreiro

Abr 12, 2024

Normalmente, o convite surge por parte de Björk, o desejo de que alguém com ela colabore num álbum e faça com que as ideias da islandesa coexistam com a contemporaneidade. É uma fórmula que usa há várias décadas, fez escola e beneficia ambas as partes. A história de Jlin é diferente, é Björk que participa no seu álbum e não o inverso. Björk, Philip Glass e Kronos Quartet são alguns dos que fazem parte de Akoma, disco lançado este ano. No longa-duração anterior, Black Origami, William Basinski e Holly Herndon faziam parte dos créditos. No ano passado, Perspective, o tema que compôs para o coletivo Third Coast Percussion, foi nomeado para o prémio Pulitzer de música. De onde vem Jlin e como chegou aqui? Uma forma de ter a resposta é ouvir a música que faz, coisa que será possível fazer ao vivo em Lisboa este fim-de-semana. A artista norte-americana toca na Galeria Zé dos Bois no próximo domingo, pelas 21h.

Mas como é que isto aconteceu? A resposta ao caso Björk é fácil: “Era suposto eu produzir um tema para o último álbum da Björk [Fossora, de 2022], mas acabou por não acontecer porque eu estava sempre em digressão. As nossas agendas não se encontraram. Mas ela já me tinha enviado algum material e eu tinha trabalhado nele, só não o tinha finalizado. E quando comecei a trabalhar neste álbum, terminei-o e mostrei-lhe. Perguntei se podia usá-lo no meu álbum e ela disse que sim.” É esta a história de Borealis, tema de abertura de Akoma, contada por Jlin numa conversa com o Observador dias antes da sua passagem pela Zé dos Bois, uma das datas da digressão europeia que está agora a decorrer.

[Jlin numa performance no Metropolitan Museum, em Nova Iorque:]

Akoma é o terceiro álbum de Jlin, depois da estreia com Dark Energy (2015) e Black Origami (2017). Pelo meio ainda editou música que fez para outros contextos, como Autobiography (2018), obra composta para uma peça de Wayne McGregor, e o já referido Perspective (2023), todos editados pela Planet Mu. Em conversa, Jlin sente o trabalho que faz como “uma expressão vulnerável de mim mesma” e refere, por diversas vezes, o quão grata está pela aceitação que o seu trabalho tem junto das pessoas.

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Começou a fazer música em finais da primeira década deste século. Puxada pelo footwork — género musical com origem em Chicago —, trocava mensagens com DJ Rashad e RP Boo (nomes considerados lendários dessa mesma estética) e, apesar de não ser de Chicago, um dos seus temas entrou na compilação Bangs & Works Vol.2: The Best Of Chicago Footwork (2011), da Planet Mu. O lançamento fez parte da “missão” da editora inglesa em mostrar este género ao mundo e é, talvez, um dos últimos exemplos de como uma compilação surgiu no momento certo para divulgar e promover uma linguagem musical (e não só). Tanto que ainda hoje se fala na coletânea como momento essencial. Erotic Heat, o tema de Jlin, fez furor e isso abriu caminho para começar uma relação mais séria com a editora, algo que mantém até hoje.

Apesar do footwork estar nas suas origens, hoje mostra-se pouco disponível para falar disso. Faz sentido, apesar da música manter os BPM lá em cima e da polirritmia: as composições de Jlin já têm pouco a ver com footwork. Aliás, apesar de se poder dançar ao som das suas produções, o que acontece aqui já é qualquer coisa para lá da música de dança. Composição contemporânea sobre a forma de música eletrónica? Talvez. A verdade é que há algo nos ritmos e nas harmonias que Jlin tem procurado na última década — e na forma como têm evoluído — que mostram uma procura por algo diferente.

[o álbum “Akoma” na íntegra, no Spotify:]



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