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A noite em que a “guerra-sombra” do Irão e de Israel ficou a um passo de se tornar uma guerra aberta – Observador Feijoada

ByEdgar Guerreiro

Abr 14, 2024

Bruno Cardoso Reis, doutorado em War Studies pela King’s College e subdiretor do Centro de Estudos Internacionais do ISCTE, explica ao Observador por que razão este foi um duro golpe para Teerão: “É muito importante para o Irão manter a rede de grupos armados e milícias e a Al-Quds estava a ser seriamente atingida por Israel nos últimos meses”, afirma. “O Irão quis sinalizar que não vai continuar a tolerar ataques cada vez mais frequentes a alvos mais destacados da Guarda Revolucionária.”

A esse ponto, junta-se um segundo: “É também uma resposta à ideia de que o Irão está a fazer muito pouco em relação ao Hamas e a Gaza. A expectativa do Hamas era que tivesse havido mais rapidamente uma escalada por parte do Irão”, lembra o investigador. Afinal, após o ataque do 7 de Outubro, o grupo islâmico de Gaza apelou repetidamente a um levantamento do mundo muçulmano contra Israel, na esperança de que se abrisse uma guerra regional. Até agora, não tinha acontecido; com o ataque do Irão deste dia 13 de abril, isso poderá mudar.

Não que Teerão tenha interesse numa guerra aberta com Israel. Apesar da barragem de centenas de mísseis e drones, alguns sinais apontam para uma tentativa de o regime teocrático tentar controlar ao máximo o dano infligido para evitar uma escalada.

Um sinal claro foi o tweet feito pela missão diplomática do país na ONU, quando os primeiros mísseis ainda não tinham chegado a território israelita, dizendo que “o assunto pode dar-se como concluído”. “É crucial”, nota Bruno Cardoso Reis. “É uma tentativa de evitar a escalada e de evitar a retaliação de Israel — seja contra o Hezbollah, seja contra o próprio Irão.”

Apesar de o ataque ser inédito e representar uma resposta muito mais forte do que as alternativas (um ataque através de grupos como o Hezbollah, por exemplo, ou o envio de drones contra alvos militares em zonas como os Montes Golã), foi tão anunciado e denunciado pelos Estados Unidos ao longo das últimas duas semanas que permitiu a Israel preparar-se. “O ataque parece ter sido desenhado com a intenção de não provocar vítimas”, diz Cardoso Reis. “É semelhante ao ataque que o Irão fez aos Estados Unidos em resposta à morte de Qassem Soleimani, com um pré-aviso para evitar baixas”.





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