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No Bairro das Laranjeiras há uma “vaga” a agitar as águas das artes nos Açores – Observador Feijoada

ByEdgar Guerreiro

Abr 15, 2024


É preciso atravessar pequenas casas até desaguar no imponente armazém de um azul nebuloso tal qual o céu açoriano. É no Bairro das Laranjeiras, já nas franjas do centro de Ponta Delgada, nos Açores, que se encontra a vaga, o espaço de arte contemporânea da associação organizadora do festival Walk&Talk, que na última década tem enchido a ilha de São Miguel com gente em busca de arte nas ruas.

Após obras de renovação, o portão do espaço vaga reabriu há poucos dias com o lançamento de um catálogo e uma exposição que celebram os 12 anos do Walk&Talk — que, depois de uma última edição em 2022, regressa agora num novo formato: uma “bienal-caminho”. A primeira edição está marcada para setembro de 2025.

Não há grandes mudanças no espaço, que abriu durante a pandemia. “Como não podíamos receber artistas na ilha, negociámos com os nossos parceiros institucionais a possibilidade de redirecionar esses fundos para a construção de uma nova instituição cultural para a cidade”, recorda ao Observador Jesse James, diretor artístico da Anda&Fala, associação que é financiada pelo Governo dos Açores, pela República Portuguesa/DGArtes e pela Câmara Municipal de Ponta Delgada. “A proposta foi bem acolhida e avançamos para um processo que, além de físico e construtivo, foi principalmente o de imaginar e erguer uma ‘casa’.” Chamaram-lhe vaga porque a sua missão “é mover, criar lastro”.

Jesse James, diretor artístico da associação cultural Anda&Fala, que além de organizar o festival Walk&Talk tem, desde a pandemia, o espaço cultural vaga, em Ponta Delgada, Açores

Mariana Lopes

Tal como nas várias edições do Walk&Talk, em que a associação procurou e encontrou casa em vários espaços desocupados em Ponta Delgada, na vaga o espaço também foi mantido desimpedido de grandes estruturas, qual lugar de possibilidades infinitas cujo projeto de arquitetura — assinado pelo Mezzo atelier — potencia. O edifício de 500 metros quadrados está dividido em algumas áreas: uma oficina e armazém destinado à criação e produção, uma galeria com duas salas de exposição (uma delas um blackbox, que já acolheu, entre outras coisas, um cineclube), um foyer virado para a rua e uma casa propriamente dita, isto é, um espaço com uma ampla cozinha, biblioteca, zonas de trabalho e uma mezzanine com dois quartos para residências.

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Por estes dias, é tempo de descobrir a exposição que acompanha o lançamento do catálogo, Walk&Talk 2011-2022: o que não sabes merece ser descoberto, sobre os processos, contextos e a “ação coletiva de erguer o festival”. Em junho, chegará uma mostra conjunta que examina as implicações culturais, sociais e políticas do descanso, do sono e do sonho. Em setembro, será hora de conhecer o resultado dos projetos desenvolvidos pelas três artistas vencedoras do Prémio Nova vaga, uma prova da atenção da associação à criação contemporânea nos Açores, com “a ambição de se constituir como um dos mais importantes prémios artísticos na região”.

Imagem da exposição “O que não sabes merece ser descoberto”, curada pelo diretor artístico da associação, Jesse James, e com museografia do artista e arquiteto Nuno Pimenta

O prémio sucede ao Jovens Criadores Walk&Talk, que entre 2013 e 2022 distinguiu artistas naturais ou residentes nos Açores com uma bolsa de criação, tornando-se uma ferramenta definidora de uma nova geração de artistas, entre os quais Beatriz Brum, João Miguel Ramos, Catarina Gonçalves, Joana Franco ou Cristóvão Maçarico. O novo prémio, de periodicidade bienal, passa a premiar três artistas com uma bolsa de criação de quatro mil euros, assegurando acompanhamento curatorial durante um ano e uma exposição final e coletiva na vaga. Será para descobrir no outono, na mostra de Isabel Medeiros, Joana Albuquerque e Sofia Rocha, com curadoria de Marta Espiridião. “O prémio introduz um espaço e momento importante, e que faltava afirmar, no sistema artístico na região, onde se oferece condições para os artistas crescerem e se apresentarem aos seus pares, a outros agentes e a um público mais amplo”, diz o diretor artístico.



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