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Pedro Nuno entre a renovação, a sombra de uma razia, pendurados e ausentes – Observador Feijoada

ByEdgar Guerreiro

Abr 23, 2024

A reunião socialista que aprovou a lista de candidatos às Europeias foi pouco participada, com ausências notadas como a de Francisco Assis (que volta a ser candidato mas em segundo) ou Fernando Medina (que depois de alguma especulação afinal nem convidado foi), acabando com 41 votos a favor, nove contra e quatro abstenções — da Comissão Política Nacional PS fazem parte cerca de 90 socialistas. O líder saiu sem fasquias assumidas e a garantir que a sua lista “foi aprovada por uma larguíssima maioria”. Mas também sai com a sombra da razia total nos nove eurodeputados atuais, com algumas críticas e pendurados.

Não é incomum os socialistas repetirem o mandato, totalizando dez anos no Parlamento Europeu, mas desta vez não foi assim e vários dos nomes que saem, como Pedro Marques,  Margarida Marques ou Maria Manuel Leitão Marques, ficaram a saber que o seu caminho entre Bruxelas e Estrasburgo ficou por aqui, depois de um único mandato. Na reunião, o eurodeputado Carlos Zorrinho fez o balanço do trabalho feito e vários socialistas aproveitaram para deixar elogios a quem sai — entre os nomes conta-se o de Pedro Silva Pereira, que estava no Parlamento Europeu desde 2014 (na era Seguro) onde era atualmente vice-presidente.

No final, Pedro Nuno Santos garantiu não existir “nenhuma rutura” com o passado.“Há evolução, há mudança e isso é normal. Nada tem a ver com o trabalho que os eurodeputados do PS fizeram”, justificou na conferência de imprensa. “Quem sai contribuirá com o PS de outras formas”, disse ainda defendendo que este é o “momento de renovar” e trazer “novas pessoas ao Parlamento Europeu”.

Mas nem todos são novos neste circuito, Francisco Assis, por exemplo, é o segundo da lista e já foi cabeça de lista e eurodeputado (2014-2019), voltando agora ao Parlamento Europeu depois de ter sido tentado para a presidência da Assembleia da República. Aliás, esse episódio colocava-o como um dos nomes óbvios para a rotação daqui a dois anos acordada com a AD na altura dessa polémica votação, mas nem Assis nem Pedro Nuno se comprometeram com isso na altura e, agora, o nome do socialista fica definitivamente fora dessa órbita já que sairá do Parlamento.

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Pedro Nuno garante que “todos os convites” que fez “foram aceites e não houve alteração de lugares nem de candidatos” . Mas houve nomes que foram sondados, segundo apurou o Observador junto de várias fontes socialistas, e que acabaram por ficar de fora no final. Foi o caso de Fernando Medina que, a par de António Vitorino, teve o seu nome a circular como eventual candidato na lista do PS ao Parlamento Europeu, mas segundo apurou o Observador o convite nunca foi concretizado.

Outro nome que era dado como certo e que acabou por não integrar este elenco foi o de Vasco Cordeiro, que não vai ser recandidato ao PS/Açores e está desde junho de 2022 como presidente do Comité das Regiões Europeu. O caminho parecia estar aberto (e conversado) para Bruxelas, mas Cordeiro mostrou-se indisponível justificando-se com “razões pessoais”, soube o Observador. O nome indicado pelo secretariado regional do PS-Açores foi, assim, o de André Rodrigues, depois de uma votação interna em que ficou à frente do outro nome possível (José San-Bento) apenas por um voto.

A lista final foi conhecida pouco antes da reunião e o convite à cabeça de lista foi formalizado na noite anterior, tendo sido aceite de imediato, confirmou o Observador junto de fonte do partido. Marta Temido é apontada por vários socialistas como “um nome forte”, uma “boa candidata”, com um capital recente que o PS quer aproveitar: o combate à pandemia da Covid-19. Foi isso mesmo que Pedro Nuno fez logo quando a classificou como “uma grande mulher” e lembrou o papel que teve durante o período da pandemia em que era ministra da Saúde.

Pedro Nuno Santos também garantiu ter uma “lista experiente” e com “muita juventude” — apontou mesmo Bruno Gonçalves, secretário-geral da União Internacional de Juventudes Socialistas (IUSY), que é o quarto da lista. Nas entrelinhas da frase fica um eventual contraponto com a lista da AD encabeçada por Sebastião Bugalho (que tem 28 anos e não tem carreira política), embora Pedro Nuno tenha dito que não queria entrar nesse despique e prometa uma “campanha pela positiva”.

Quanto à não inclusão de apoiantes de José Luís Carneiro na lista que o PS vai levar às eleições Europeias, Pedro Nuno disse que essa questão “foi resolvido na disputa interna” — altura em que incluiu apoiantes do seu adversário interno nos órgãos do partido. “É muito importante a posição de todos os camaradas e também de José Luís Carneiro, mas a eleição interna e o congresso já lá vai, o PS tem órgãos eleitos e um secretário-geral eleito”. referiu.

Não deixou de ouvir Carneiro fazer uma intervenção na reunião da Comissão Política Nacional a defender — deixando a crítica subentendida — que o líder do partido devia aproveitar a experiência de outros socialistas, onde se incluiu, nos “processos de escolha” “neste e noutros processos”, defendeu. Ficou logo ali claro que desta vez não foi ouvido antecipadamente sobre a lista às Europeias e que considerava que devia ter havido esse cuidado.

Voltou a falar de Orçamento do Estado — na última reunião da Comissão Política tinha defendido que o PS não devia fechar a porta à viabilização — para dizer que devem ser avaliadas “em conjunto as medidas que sirvam os cidadãos”, apurou o Observador, e isto numa altura em que a palavra do líder do PS continua a ser recuada em relação a uma viabilização do Orçamento do Estado para o próximo ano. Em matéria orçamental, Pedro Nuno só se tem mostrado disponível para deixar passar um retificativo.

Dos representantes da  Tendência Sindical Socialista, nomeadamente de José Abrãao, o líder do partido ainda ouviu o reparo por ter deixado para o lugar de primeira suplente (Vanda Cruz) o nome da única sindicalista que vai na lista do PS às Europeias. Segundo apurou o Observador, na reunião, Abrãao reconheceu que a lista “é boa” já que “o PS é rico em quadros”, mas também assinalou que gostava de ver pelo menos um sindicalista pelo menos nos 21 efectivos.

A lista completa do PS que, em 2019, elegeu nove eurodeputados:

Efectivos
1. Marta Temido (deputada e ex-ministra da Saúde)

2. Francisco Assis (deputado e ex-eurodeputado)
3. Ana Catarina Mendes (deputada e ex-ministra dos Assuntos Parlamentares)
4. Bruno Gonçalves (secretário-geral da União Internacional de Juventudes Socialistas) 
5. André Rodrigues (indicado pelos Açores)
6. Carla Tavares (presidente da Câmara Municipal da Amadora
7. Isilda Gomes (presidente da Câmara Municipal de Portimão)
8. Sérgio Gonçalves (Madeira)
9. Miguel Lemos (presidente do Conselho de Administração das Águas de Gaia)
10. Joana Sá Pereira (deputada)
11. Pedro do Carmo (deputado)
12. Inês João Rodrigues (vice-presidente da YES)
13. Jorge Manuel Santos Conde (Presidente do Instituto Politécnico de Coimbra)
14. Lúcia Silva (deputada)
15. Mário Balsa (professor)
16. Inês Pinto (Conselheira do S&D para a Comissão dos Assuntos Jurídicos e para o Grupo
de Trabalho Europa Digital)
17. Francisco Themudo (JS)
18. Margarida Cardoso (Coordenadora da Estruturas das Mulheres Socialistas de Seia)
19. Ana Cláudia Moreira (JS)
20. Hélio Fazendeiro (PS-Covilhã)
21. João Soares (antigo deputado)

Suplentes
1. Vanda Cruz
2. Adriano Menino
3. José Marques
4. Nathalie Oliveira
5. Sofia Pereira
6. Abel Matinho
7. Carolina Macedo Santos
8. João Pintassilgo



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