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Paulinho, o mestre de cerimónias de uma festa que não acaba (a crónica do Estoril-Sporting) – Observador Feijoada

ByEdgar Guerreiro

Mai 11, 2024

Foi uma semana de euforia em Alvalade. O Sporting venceu o Portimonense, o Benfica capitulou em Famalicão e os leões festejaram a conquista da Primeira Liga com ainda duas jornadas por disputar e num domingo onde nenhum adepto quis lembrar-se de que o dia seguinte era uma segunda-feira. Este sábado, na Amoreira, a equipa de Rúben Amorim voltava a entrar em campo já campeã, à procura de recordes e sem vontade de tirar o pé do acelerador.

O treinador leonino foi um dos protagonistas dessa mesma semana de euforia, depois de quase ter garantido em pleno Marquês de Pombal que vai ficar no clube. Dias depois, porém, e mesmo com a bagagem de ter deixado milhões a sonhar com um simples “vamos ver” em relação à conquista do bicampeonato, Rúben Amorim não fez inversão de marcha mas recuou ligeiramente — e voltou a abrir a porta a uma eventual, futura e potencial saída. 

Ficha de jogo


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Estoril-Sporting, 0-1

33.ª jornada da Primeira Liga

Estádio António Coimbra da Mota, no Estoril

Árbitro: João Gonçalves (AF Porto)

Estoril: Marcelo Carné, Pedro Álvaro (Mangala, 79′), João Basso, Bernardo Vital (Raúl Parra, 85′), Rodrigo Gomes, Michel (Alejandro Marqués, 69′), Zanocelo, Wagner Pina (João Carlos, 85′), Rafik Guitane, Cassiano (Fabrício, 69′), João Marques

Suplentes não utilizados: Dani Figueira, Volnei, Mor Ndiaye, Heriberto

Treinador: Vasco Seabra

Sporting: Diogo Pinto, Diomande, Coates, Gonçalo Inácio, Ricardo Esgaio (Iván Fresneda, 89′), Morita (Koba Koindredi, 90+1′), Daniel Bragança (Paulinho, 57′), Matheus Reis (Nuno Santos, 57′), Trincão, Gyökeres, Pedro Gonçalves (Miguel Menino, 89′)

Suplentes não utilizados: Francisco Silva, Luís Neto, Hjulmand, Rafael Pontelo

Treinador: Rúben Amorim

Golos: Paulinho (81′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Fabrício (75′), a Coates (80′), a Zanocelo (90+1′)

“Nada mudou. Como vos disse, tenho contrato com o Sporting e não há novidades. Não disse que íamos ser bicampeões, disse que íamos ver. Todos os clubes querem ser bicampeões e nós temos esse objetivo. Em relação a esse discurso, também sou um homem que não costuma beber e já tinha bebido duas cervejas… A euforia, o momento, tudo levou àquilo. Que não haja dúvidas de que queremos ser bicampeões. Amanhã vamos tentar vencer, não sofrer golos. Podemos ter o recorde de vitórias e bater a melhor pontuação. Há muita coisa para ganhar, foi um dia especial, mas já passou”, disse o treinador dos leões.

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Neste contexto e sem Adán e Franco Israel, ambos lesionados, Amorim lançava o jovem Diogo Pinto na baliza, com o guarda-redes de 19 anos a estrear-se na equipa principal do Sporting. Matheus Reis e Esgaio surgiam nos corredores, Morita fazia dupla com Daniel Bragança no meio-campo e Hjulmand começava no banco, sendo que o habitual trio ofensivo mantinha a titularidade. Do outro lado, num Estoril com a manutenção já assegurada, Vasco Seabra tinha João Marques, Guitane e Cassiano no setor mais adiantado.

O jogo começou a um ritmo baixo e pouco intenso, com o Sporting a ter o natural domínio da posse de bola, mantendo-se inserido no meio-campo adversário, mas sem conseguir aproximar-se da baliza de Marcelo Carné ou criar oportunidades. O Estoril defendia bem, com Pedro Álvaro a permitir muito pouco a Gyökeres e os leões a sentirem-se obrigados a lateralizar o jogo face à elevada densidade populacional que era uma realidade no corredor central.

Pedro Gonçalves protagonizou o primeiro lance de maior perigo, com um remate de fora de área que passou muito por cima da baliza (11′), mas o Estoril ia conseguindo neutralizar a dinâmica ofensiva do Sporting e não sofria grandes sustos. Em sentido oposto, a equipa de Vasco Seabra tentava atacar em transição rápida, com poucos passes e futebol direto, e Rodrigo Gomes revelava-se o elemento mais esclarecido.

Os leões aceleraram a partir da meia-hora, com um lance individual de Trincão a servir como uma espécie de abre-latas para mostrar que era possível derrubar a muralha defensiva do Estoril. Gyökeres ameaçou com um remate de fora de área que desviou num adversário (33′), Trincão atirou em jeito e ao lado (35′), Bragança teve uma boa ocasião para marcar ao rematar por cima depois de uma assistência do avançado sueco (37′) e Pote permitiu a defesa de Carné quando apareceu isolado na cara do guarda-redes (44′) — mas a bola acabou mesmo por não entrar.

A melhor oportunidade da primeira parte pertenceu mesmo ao Estoril e já perto dos descontos, com Rodrigo Gomes a surgir em velocidade na esquerda e a atirar já com pouco ângulo na área para acertar em cheio no poste de Diogo Pinto (45′). Ao intervalo, porém, as duas equipas estavam empatadas na Amoreira e o jogo ia sendo disputado sem grande velocidade ou intensidade.

Nenhum dos treinadores fez alterações ao intervalo e a lógica do jogo manteve-se, com as duas equipas muito encaixadas e pouco espaço para desequilíbrios ou transições mais rápidas, com um remate de Trincão contra um adversário a ser o lance mais perigoso dos primeiros 10 minutos da segunda parte (54′). Rúben Amorim decidiu mexer ainda antes da hora de jogo, trocando Matheus Reis e Daniel Bragança por Nuno Santos e Paulinho, e Pote recuou para o meio-campo.

As duas substituições mexeram com as dinâmicas da partida, com Nuno Santos a dar outra velocidade ao corredor esquerdo e Pote a oferecer um critério mais incisivo no meio-campo, e o Sporting poderia ter inaugurado o marcador de forma consecutiva com remates perigosos de Esgaio (62′) e Gyökeres (62′), ambos para defesas atentas de Carné. O Estoril ia sentindo mais dificuldades, passando do meio-campo de forma cada vez mais espaçada, e Vasco Seabra procurou refrescar a equipa com as entradas de Alejandro Marqués e Fabrício.

Trincão ficou perto de abrir o marcador com um remate de fora de área que Carné defendeu (76′), Rodrigo Gomes respondeu quase de imediato com um pontapé em jeito que passou ao lado (77′) e Vasco Seabra voltou a mexer, procurando blindar ainda mais a defesa do Estoril com a entrada de Mangala. A muralha, porém, acabou por ruir: Nuno Santos acelerou na esquerda antes de receber de Gyökeres já na área, cruzou para o poste oposto e Paulinho apareceu a rematar para abrir o marcador (81′).

Até ao fim, Rúben Amorim ainda teve tempo para lançar Miguel Menino, médio de 21 anos com toda a formação realizada nos leões que se estreou pela equipa principal e também se sagrou campeão nacional. O Sporting venceu o Estoril, chegou aos 28 triunfos no Campeonato e bateu o recorde de pontos do clube, com 87. E tudo porque Paulinho, lançado na segunda parte, continua a ser o verdadeiro mestre de cerimónias de uma festa que não acaba.





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