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As eleições europeias e a guerra na Ucrânia – Observador Feijoada

ByEdgar Guerreiro

Mai 31, 2024

A guerra na Ucrânia foi um tema importante em todos os debates na campanha para as eleições europeias. A visita de Zelensky acentuou a importância do tema.

A discussão da guerra na Ucrânia nos debates foi, em geral, fraca e desonesta. Comecemos pela desonestidade, a qual veio sobretudo do PCP mas também, em menor medida, do Bloco. João Oliveira é incapaz de atacar o regime de Putin. Não o defende explicitamente, mas nunca o ataca abertamente. Mas a maior desonestidade do PCP e do Bloco é colocarem o ónus na União Europeia por não se esforçar para fazer a paz e escolher ajudar a Ucrânia. É preciso muito descaramento. Putin não quer a paz, por isso não pode haver paz. Será que João Oliveira e Catarina Martins não percebem o essencial? Ou não querem entender? Putin quer ocupar a Ucrânia e reduzi-la a um protectorado como a Bielorrúsia. Foi por isso que as tropas russas invadiram a Ucrânia. Putin iniciou a guerra, sem qualquer razão, e só ele a pode fazer a paz rapidamente.

Mas os partidos que defendem a Ucrânia e atacam a Rússia, todos os outros, embora tenham a posição certa, revelaram fraquezas. Em primeiro lugar, todos mostraram medo de serem acusados de não querer a paz. Mostraram medo porque não foram capazes de dizer o óbvio. Putin começou uma guerra de ocupação, e só há uma maneira de se chegar à paz: derrotar Putin.

Para derrotar Putin, antes de mais, é necessário acabar com a fantasia de que a Ucrânia não pode atacar o território russo. Não será suficiente para derrotar a Rússia, mas é da mais elementar justiça. As tropas russas atacam todo o território da Ucrânia há mais de dois anos, não distinguem alvos civis de militares, e os ucranianos não podem atacar a Rússia. É extraordinário.

Os limites impostos à Ucrânia resultam de dois erros que os governos ocidentais cometem há mais de uma década. Em primeiro lugar, a fraqueza do apaziguamento. Nas capitais europeias, e nos Estados Unidos, continuamos a ouvir que não se pode provocar Putin, o que Sebastião Bugalho e Cotrim de Figueiredo repetiram nos debates. Por que razão Bugalho e Cotrim não disseram o que é evidente. É impossível apaziguar Putin, e não é necessário provoca-lo para ele fazer guerras. A incapacidade de pensar fora dos quadros mentais dominantes e a eterna fraqueza europeia são desesperantes.

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Em segundo lugar, há o permanente medo do bluff nuclear de Putin. É óbvio que com Putin existem grandes riscos, mas pouco se pode fazer para os diminuir. O problema é Putin, não são as ações de quem o combate. Mas há duas razões que nos deviam levar a não levar a sério o bluff nuclear. Em primeiro lugar, a capacidade nuclear dos Estados Unidos é incomparavelmente superior à da Rússia. Putin sabe isso muito bem. Ele assistiu ao fim da Guerra Fria. O Presidente russo sabe que o recurso às armas nucleares seria um acto auto-destruição. Putin pode ser irracional, mas não é louco. Nem as chefias militares russas enlouqueceram. Aliás, uma tentativa de Putin para usar armas nucleares poderia ser o primeiro passo para um golpe de estado em Moscovo.

Em segundo lugar, a liderança chinesa tem sido muito clara na sua oposição ao uso de armas nucleares por parte da Rússia. Pequim não quer que Putin perca a guerra, até se diverte com o modo como o bluff russo assusta as capitais ocidentais, mas não brinca com o que é sério. A estabilidade económica chinesa exige um mínimo de ordem global e de comércio internacional. A China continua a ser a maior exportadora mundial. Uma guerra nuclear seria um desastre económico para a China. Ora, neste momento, a economia e o esforço de guerra da Rússia dependem do apoio da China.

Putin não vai usar armas nucleares, está a fazer bluff. É impossível apaziguar o Presidente russo. E a única maneira de haver paz na Europa é derrotar Putin. Se Putin ficar fraco, serão as elites russas a afastá-lo do poder.



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