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“É possível eleger o segundo deputado.” Mortágua e Louçã elevam ambição do Bloco – Observador Feijoada

ByEdgar Guerreiro

Jun 6, 2024

No início de maio, numa entrevista ao podcast “Perguntar Não Ofende”, de Daniel Oliveira, a cabeça-de-lista do Bloco de Esquerda às eleições europeias, Catarina Martins, foi diretamente questionada sobre quais eram as metas do partido para as eleições do dia 9 de junho. A resposta (aos 9:42) foi clara e inequívoca: “Manter os dois eurodeputados. Aliás, o Bloco de Esquerda é a única força de esquerda que está a disputar isso mesmo: poder ter dois eurodeputados.”

Nas europeias de 2019, o Bloco tinha sido a terceira força política mais votada. Com quase 10% dos votos, conseguiu eleger para o Parlamento Europeu a cabeça-de-lista, Marisa Matias, e o número dois da lista, José Gusmão. Porém, cinco anos depois, o cenário político em Portugal mudou radicalmente e, a julgar pelas últimas legislativas, o Bloco de Esquerda tem muito menor expressão eleitoral no país. Praticamente todas as sondagens são pouco simpáticas para essa ambição do partido, atribuindo ao Bloco apenas um eurodeputado.

Possivelmente por causa disso, Catarina Martins começou a campanha a baixar as expectativas para as eleições e a rejeitar qualquer leitura nacional do resultado de 9 de junho. Logo na primeira ação do período oficial de campanha, uma visita à feira de Espinho, questionada pelos jornalistas sobre a sua meta na partida para a campanha, Catarina Martins rejeitou avançar um número. Pediu apenas um “resultado forte” e uma esquerda de confiança em Bruxelas para “contrariar um projeto de extrema-direita que ataca a liberdade das mulheres e os direitos de toda a gente”.

Ao longo de quase duas semanas de campanha, Catarina Martins tem repetido estas palavras: o Bloco quer o melhor resultado possível, terá os deputados que merecer e apostará numa campanha que mostre às pessoas o que é possível fazer, a partir de Bruxelas, para melhorar as suas vidas.

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Contudo, a meio da segunda semana de campanha, duas altas figuras do partido voltaram a subir a fasquia da ambição do Bloco de Esquerda e colocaram novamente em cima da mesa o objetivo de eleger dois eurodeputados, mesmo continuando todas as sondagens a dar esse cenário como improvável.

Primeiro foi Francisco Louçã, o histórico fundador e ex-coordenador do Bloco de Esquerda, que se juntou à campanha eleitoral para um forte discurso num comício no Porto, na noite de terça-feira. Numa intervenção em que se focou no “vírus da indiferença” que considera ter-se instalado no debate político contemporâneo, Francisco Louçã perspetivou a possibilidade de o Bloco de Esquerda eleger dois eurodeputados: “O Bloco de Esquerda, que se reforçou nas últimas eleições, e continuará, é, por isso mesmo, o único partido que à esquerda pode disputar a eleição do segundo deputado.”

A guerra, os migrantes, a liberdade e as condições de vida. Louçã na campanha para uma lição em quatro atos sobre o “vírus da indiferença”

Depois, foi a vez da coordenadora do Bloco, Mariana Mortágua, que durante a tradicional arruada na Rua de Santa Catarina, no Porto, assumiu claramente o objetivo de eleger dois eurodeputados no próximo domingo.

“Acredito que é possível eleger o segundo deputado. Acredito que um segundo deputado do Bloco de Esquerda faz toda a diferença no Parlamento Europeu. Jogam-se coisas tão importantes, a diferença entre a guerra e a paz, a resposta à crise climática, a resposta à crise das migrações, a resposta pela habitação”, afirmou Mariana Mortágua em declarações aos jornalistas a meio da descida da Rua de Santa Catarina, um percurso durante o qual a comitiva bloquista se cruzou com muitos turistas, mas também com um grupo de lesados do BES que quiseram abordar a candidata.

Questionada ainda mais diretamente sobre se essa era a meta que colocava ao partido, Mortágua prosseguiu: “O objetivo eleitoral é sempre reforçar, é sempre continuar a crescer, sempre a aumentar o número de votos e certamente eleger o segundo eurodeputado em Bruxelas. Porque o segundo eurodeputado fará diferença.”

A coordenadora do partido defendeu ainda que “quem vota no BE sabe que a Catarina Martins e que o José Gusmão terão uma presença no Parlamento Europeu em defesa dos direitos humanos”. Com os eurodeputados bloquistas, continuou, “não há acordos com a extrema-direita, não há cedências nos direitos humanos, não há cedência na resposta à crise climática, não há cedência na resposta à crise da habitação”.

O décimo dia de campanha de campanha do Bloco de Esquerda ficou também marcado pela continuação da picardia entre Francisco Louçã e João Cotrim de Figueiredo, o cabeça-de-lista da Iniciativa Liberal — a quem o fundador do Bloco acusou de ter deslizado para um estilo “galifão” e “trauliteiro”.

O caso tinha começado no comício da noite de terça-feira, quando Francisco Louçã atirou a João Cotrim de Figueiredo pelo facto de, por “graçola”, ter recomendado a Catarina Martins que lesse um livro de Milton Friedman, economista americano que é uma das referências do liberalismo e que teve vários dos seus alunos como ministros na ditadura chilena de Pinochet.



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