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Villas-Boas admite situação-limite deixada por antiga administração no FC Porto – Observador Feijoada

ByEdgar Guerreiro

Jun 7, 2024

Se há uma descrição ou uma espécie de cognome para as primeiras semanas de André Villas-Boas como líder do FC Porto, primeiro do clube e depois da SAD, o mesmo poderia ser “O Conciliador”. Nem sempre acaba por ser possível mas é nesse sentido que o agora número 1 do FC Porto tem norteado a sua conduta, mesmo entrando em desacordo de opiniões, como já aconteceu em termos internos, com outros membros do núcleo duro dos azuis e brancos. Os problemas existem, as soluções são procuradas, a abordagem que se tem às mesmas sobretudo numa perspetiva pública difere. Porquê? Villas-Boas sabe que não pode esconder todas as realidades que entrou no Dragão mas também percebe que existe um limite até isso tornar-se um problema de maior dimensão. Ainda assim, assume as coisas como elas são. E voltou agora a fazê-lo, à margem da apresentação oficial de Vítor Bruno como novo treinador dos azuis e brancos até junho de 2026.

“Precisamos de construir um plantel vencedor porque queremos ser campeões, essa é a nossa determinação. Temos de ter em conta a situação em que nos encontramos, uma situação-limite como já todos perceberam. Mas temos de dar os passos certos para um FC Porto consolidado e sustentável do ponto de vista financeiro, esse será um grande passo nesta caminhada. O FC Porto que encontrámos como os outros nos deixaram, comigo nunca irá acontecer. Agora encaramos isto como um desafio, como uma missão, mas estamos a tomar passos muito firmes relativamente à sustentabilidade financeira, tal como é a desportiva. Se formos criteriosos e planificarmos bem, iremos construir garantias para um plantel que se pode tornar vencedor”, apontou André Villas-Boas, sem falar em nomes da anterior administração portista.

“Escolha de Vítor Bruno? Em primeiro lugar estou muito satisfeito por dar ao Vítor esta oportunidade de liderar o FC Porto, que é um conjunto de emoções profundos no coração. Estes adeptos são exigentes como ninguém. É uma honra, um orgulho e um privilégio dar-lhe esta oportunidade. Acho que ficaram bem claros os valores que o Vítor representa, a forma como comunica, cativa e como cativará os jogadores. A forma como também me cativou, a mim, ao Zubizarreta e ao Jorge Costa, pela clareza de ideias, pelo que sabe de futebol, pelo que conhece do plantel e do clube. É um homem de coragem, sem medo, que enfrenta este desafio e nós vamos fornecer tudo o que tivermos à nossa disposição para obter sucesso”, salientou.

Em paralelo, o presidente portista explicou também as declarações que teve ainda como candidato, quando disse que Sérgio Conceição teria uma estrutura onde nada faltaria. “Isso corresponde também um pouco à minha caminhada como treinador, fruto de muitas experiências. Quero garantir que o treinador se dedica apenas e só ao que gostamos, treinar a equipa, desenvolver jogadores, preparar jogos e ganhá-los. A estrutura é altamente profissional. Não poupamos, investimos. Temos a certeza que vai trazer muito sucesso ao FC Porto. Será o seu baluarte sempre e foi isso que quisemos garantir. Vem de muitos anos de treinador, filosofia e pensamento. É isso que quero oferecer ao treinador do FC Porto”, destacou.

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“Quando pedi a renovação de Sérgio Conceição logo após o jogo com o Inter na Champions [em 2021/22]? Tem a ver também com os timings onde as renovações devem ser consideradas. Essa palavra foi feita nesse tempo, que se deve renovar por vezes nos tempos onde os treinadores mais precisam, quando são eliminados injustamente de determinada competição europeia, tal como foi o caso. Para isso, é preciso estruturas fortes. Esse era o timing certo, mas as coisas evoluíram. Termina-se uma história, começa-se outra. O passado já não interessa, vamos ao futuro”, acrescentou, entre um lamento por algo que não concretizou.

“A única coisa que tenho a lamentar é não ter feito a despedida como tinha combinado com Sérgio Conceição no dia seguinte à minha tomada de posse. Lamento imenso. Falámos abertamente durante duas horas e gostava de lhe ter oferecido uma despedida condigna, com tudo o que representou nestes últimos sete anos, com todo os troféus que conquistou a seu lado. A conversa terminou mal. Tomei posse a 27 de abril, esperei pacientemente para tomar posse da SAD, e agora queremos dar passos firmes e concretos porque quero o FC Porto campeão no próximo ano. Há muitos dossiês a fechar com grande importância e o passado conta pouco, o que conta é o futuro. Que fique bem claro que essa homenagem ao treinador que saiu é devida e, escolha ele a data que escolher, estaremos de braços abertos para o receber”, reforçou Villas-Boas, que fez ainda uma espécie de cronologia entre a decisão de troca técnica no comando da equipa portista.

“A decisão foi tomada no fim de semana, debatida entre gestão desportiva e presidência, e decidimos atacar imediatamente. A partir daí convidámos o Vítor para reuniões. Foi um processo rápido, de escolha, e estávamos firmes na convicção de seguir por este caminho. A partir do momento em que começámos as reuniões, tivemos a certeza que era esse o caminho a seguir. Quero também agradecer ao doutor Jorge Gaspar pela facilidade no processo negocial, feito sem truques, à moda antiga e com base na palavra, a pensar já no futuro desportivo do FC Porto”, concluiu o presidente portista à margem da cerimónia.



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