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“Não temos pressa” – Observador Feijoada

ByEdgar Guerreiro

Jun 10, 2024

A nível interno, os primeiros cálculos indicam que Pedro Nuno também ganhou “à vontade”, consolidando a sua liderança com uma vitória depois de três derrotas seguidas (legislativas, Madeira e Açores). Mesmo entre quem não é fã do pedronunismo, reconhecia-se, no PS, ainda os resultados não estavam consolidados, que a vitória é “do Pedro Nuno e da Marta Temido”, assim como do “partido que melhor interpreta os valores europeus”. Para já, o resultado positivo do PS pareceu ter acalmado ondas de contestação que, a prazo, poderiam surgir — embora a posição que o PS tomar sobre o Orçamento possa vir a reavivá-las.

Entretanto, e enquanto garante que não deseja voltar a ir a eleições tão cedo e que quer prosseguir a sua estratégia na oposição, o PS está ciente de que precisa de reforçar a sua posição. Por isso, Pedro Nuno Santos também aproveitou para anunciar que vai lançar uns “Estados Gerais” do PS nos próximos meses, para fazer a prometida “renovação de quadros e de propostas” e, assim, “construir uma alternativa” que se deseja no PS que seja mais sólida, e com uma direção mais consolidada.

“Ele precisa de país”, justifica um dirigente ao Observador. “Do país das pessoas, das empresas, da cultura, da ciência, do desporto, de reunir com associações empresariais, sindicatos, escolas, universidades…”. Recordando que Pedro Nuno Santos só contava tornar-se líder do PS bem mais tarde, contando que a maioria absoluta durava até ao fim — “isto foi tudo muito rápido” — o líder socialista tem ainda muito trabalho pela frente para transformar esta vitória numa tendência consolidada: “É preciso dar-se a conhecer e conhecer melhor os sectores e as suas propostas”.

Curiosamente, e se a estratégia de Luís Montenegro tem sido comparada à de Cavaco Silva, desta vez Pedro Nuno decidiu agarrar uma ideia de António Guterres, em 1992, quando era oposição à maioria cavaquista para chegar ao poder — lançar uns estados gerais para pedir ideias e caras novas, que iria buscar à sociedade civil, e começar a tentar enfraquecer o Executivo de Cavaco. Uma ideia que chegou a ser considerada, no PS, “decisiva” para a vitória de Guterres em 1995.

Durante o discurso de vitória, e enquanto nos ecrãs do Altis se via a imagem de Costa-comentador, na CMTV, a falar sobre a hipótese de chegar ao Conselho Europeu, Pedro Nuno assumiu ainda que “seria com grande entusiasmo que gostaríamos de ver António Costa como presidente do Conselho Europeu”, assegurando acreditar que “há uma larga maioria em Portugal que apoia Costa” para Bruxelas. “Faremos todos força para que isso seja realidade”, prometeu. Depois de não ter contado com o ex primeiro-ministro na campanha, Pedro Nuno poderá dar os próximos passos desta sua oposição “renovada” com Costa mais longe.



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