
O cometa Halley (canto superior direito) aparece numa secção da famosa Tapeçaria de Bayeux. Um monge medieval pode ter sido o primeiro a descobrir a órbita periódica do cometa
O monge inglês Eilmer do século XI viu o famoso “cometa Halley” pela primeira vez em criança e mais tarde em adulto.
Ó Cometa Halley é o primeiro cometa que os astrónomos reconheceram como periódico, ou recorrente. Tem uma órbita altamente elíptica em torno do sol. Esta órbita alongada faz com que passe pela Terra a cada 72 a 80 anos, deixando atrás de si um rasto brilhante de poeira.
O cometa tem o nome do astrónomo britânico Edmond Halleyque ficou célebre por descrever, pela primeira vez, os seus movimentos através do espaço, em 1705. Só que, afinal, não terá sido ele o primeiro a descobrir a sua órbita periódica junto da Terra.
A conclusão é de uma investigação da Universidade de Leiden (Países Baixos) divulgada na semana passada.
No entanto, as novas são conclusões dizem que Halley não foi o primeiro a descobrir o ciclo de cerca de 75 anos do cometa que lhe dá nome.
O monge inglês Eilmer (também conhecido como Aethelmaer), de Malmesbury, poderá ter feito duas observações do cometa mais de 600 anos antes.
A história de (e escrita por) Eilmer
Eilmer é conhecido por ter sido o primeira britânico a tentar a aviação (alegadamente).
Além do fascínio pelo voo, Eilmer tinha um grande interesse por astrologia e astronomia. Em 989, ainda menino, viu um cometa rasgar os céus sobre a sua casa em Inglaterra, escreveu William of Malmesbury.
Décadas depois, em 1066, voltou a ver o cometa — e ligou os dois acontecimentos, defende Simon Portegies Zwart, astrónomo da Universidade de Leiden, nos Países Baixos, citado pela Ciência Viva.
Em 1066, Eilmer teá excalamdo: “Vieste, não vieste?… Há muito tempo que te vi; mas, ao ver-te agora, és muito mais terrívelporque te vejo brandindo a ruína da minha pátria.” Como lembra a mesma revista, na altura, Inglaterra atravessava uma crise de sucessão após a morte do rei Eduardo, o Confessor, que não deixou um herdeiro claro ao trono.
Halley Misteriosa
Ó mais antigo registo provável do cometa Halley surge numa crónica chinesa de 239 aC.
Desde então, foi registado dezenas de vezes por astrónomos em todo o mundo, muitas vezes interpretado como algum tipo de presságio. O historiador romano-judeu Flávio Josefo, por exemplo, acreditou que a observação do cometa em 66 d.C. prenunciava a queda de Jerusalém.
A passagem do cometa foi bordada na Tapeçaria de Bayeux, que registou a invasão de Inglaterra por Guilherme, o Conquistador, em 1066, depois de ter sido visto a sobrevoar a Bretanha e as Ilhas Britânicas em abril desse ano.
Como recorda a Live Science, Edmond Halley ligou as aparições do cometa em 1531, 1607 e 1682. Depois, previu o seu regresso em 1758. Halley morreu em 1742 antes de poder ver a sua previsão concretizar-se, mas foi confirmado postumamente quando o cometa regressou, de facto, como era esperado.
O novo estudo sustenta que Eilmer também deveria receber crédito por ter ligado as aparições do cometa séculos antes. Será possível voltar a ver o cometa de Halley — ou de Eilmer — na próxima passagem, no final de julho de 2061.
