
Marcel Maia / Flickr
Pessoas a trabalhar à noite
Um grande estudo concluiu que as pessoas que são mais ativas à noite – quando a maioria da população está a abrandar ou já a dormir – têm pior saúde cardíaca global do que a pessoa média.
A American Heart Association tem uma lista de fatores-chave a que todos devem prestar atenção para melhor saúde do coração: ser fisicamente ativo; evitar o tabaco; dormir o suficiente e ter uma alimentação saudável; e controlar a pressão arterial, o colesterol, o açúcar no sangue e o peso.
Agora, um novo grande estudo, publicado esta quarta-feira no Jornal da Associação Americana do Coraçãorevelou que o facto de sermos uma “coruja noturna” também afeta consideravelmente a nossa saúde.
O ritmo circadiano do corpo (o nosso relógio biológico mestre) tem um horário de cerca 24 horas que regula não só quando ficamos com sono e quando estamos mais despertos, mas também mantém os sistemas de órgãos em sincronia, influenciando coisas como a frequência cardíaca, a pressão arterial, as hormonas do stress e o metabolismo.
Mas o ritmo circadiano varia de pessoa para pessoa.
Para saber mais, o novo estudo acompanhou mais de 300.000 adultos de meia-idade e mais velhos no UK Biobank (enorme base de dados de saúde que inclui informação sobre as preferências das pessoas quanto ao padrão sono-vigília).
Aproximadamente 8% dessas pessoas classificaram-se como corujas noturnasmais ativas física e mentalmente ao fim da tarde ou à noite, e acordadas para lá da hora de deitar da maioria das pessoas.
Cerca de um quarto eram madrugadores, mais produtivos durante as horas de luz do dia e, do mesmo modo, cedo para a cama. O resto era mediano.
A investigação concluiu que, ao longo de 14 anos, as corujas noturnas tiveram um risco 16% mais elevado de um primeiro ataque cardíaco ou AVC em comparação com a população média.
As corujas noturnas, sobretudo as mulheres, também tinham pior saúde cardiovascular global com base no cumprimento dos oito fatores-chave da associação cardíaca.
Contudo, importa referir que tabagismo, sono insuficiente e má alimentação continuam a ser os comportamentos de maior risco.
O estudo não conseguiu, ainda assim, examinar com precisão o que as corujas noturnas fazem quando o resto do mundo está a dormir.
