
Manuel de Almeida / LUSA
A ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho
Maria da Graça Carvalho demonstra que sabe do que fala, tem sido esclarecedora, boa comunicadora e… tem empatia.
O mau tempo dos últimos dias voltou a demonstrar um problema crónico deste Governo – e do PSDno geral: a comunicação.
Há quem defenda que a comunicação é um pormenor, que o que interessa é o que os políticos fazem no terreno, nos bastidores, nas reuniões.
Há quem lembre que, sobretudo em situações trágicas como esta, a comunicação é essencial. Marcar presença e dizer as palavras certas, no momento certo, e transmitir mensagens claras.
Maria Lúcia Amaral tem sido o alvo da maioria das críticas. A ministra da Administração Interna reagiu à depressão Kristin com uma frase que foi repetindo (e irritando) em diferentes dias e contextos: “Aprendizagem colectiva”. Dias depois, apontou: “Não sei o que falhou. Não posso dizer exactamente o que falhou”.
Nuno Melo decidiu aparecer junto ao Exército numa alegada zona problemática de Leiria, afectada pela tempestade. Mas afinal, segundo os moradoreso ministro da Defesa estava apenas num caminho de floresta quase nunca usado, e o exército só foi lá para aparecer na televisão, a simular que estava em acção.
Depois, surgiu a contradição entre o que anunciou o primeiro-ministro e o que disse o Ministério do Trabalho: Luís Montenegro falou num apoio máximo de 1.075 euros por mês para famílias mais frágeis afectadas pelo mau tempo; o ministério tinha dito que esse valor era anual. A informação certa era a de Montenegro.
Pelo meio…
…aparece em ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho.
Tem sido o membro do Governo mais direto ao assunto, mais esclarecedora. Mostra que sabe o que está a dizer, tem conhecimentos técnicos, sabe explicar ao detalhe. Dificilmente ficam dúvidas depois do que diz.
O momento mais evidente desta descrição terá sido uma entrevista realizada na terça-feira, na qual explicou com pormenores o que se passa em cada um dos 10 rios mais preocupantes, nas barragens e nos casos de eventuais evacuações.
Mostrou qual era a sua prioridade: “Não descansaremos enquanto todas as casas não tiverem energia”.
Defendeu que parte da rede eléctrica em Portugal deveria ser enterrada, além de mais digitalização e menos exposição das infraestruturas a fenómenos climáticos extremos. E não escondeu: “As redes eléctricas não estavam preparadas para estas intempéries”
Também já explicou porque pedir geradores ao abrigo do Mecanismo Europeu de Protecção Civil não faria diferença: “A nossa dificuldade é a logística”.
As suas explicações, e a sua postura, têm sido elogiadas – e partilhadas – pelas redes sociais, por inúmeros portugueses.
É a pessoa “mais ponderada, mais decidida”, começa por analisar Judite França na rádio Observador. “Tem uma voz calma, um discurso articulado, percebe os dossiers mais técnicos e explica muito bem”.
Raquel Abecasis, que dá “nota 20” a Maria da Graça Carvalho, acrescentou que a ministra tem sido “extraordinária”, também, por causa do seu fator humano: a paciência que demonstrou junto a uma mulher que, mesmo estando em zona de risco, não queria sair da sua loja.
“E nestas coisas percebe-se quando aquilo é um jeito natural: além de ter competência política e técnicaé uma pessoa com enorme empatia”, analisou.
“Com jeitinho, davam-lhe o comando da situação. Se precisarem de uma ajuda, vão à ministra do Ambiente”, finalizou a comentadora Judite França.
