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Novo estudo revelou que os efeitos da depressão podem infiltrar-se nos próprios ossos — e, inversamente, os ossos podem enviar mensagens penetrantes de volta ao cérebro.
Um estudo publicado na semana passada na Biomoléculasrevelou uma via de dois sentidos: a depressão e a osteoporose relacionam-se.
Os três neurologistas chineses que lideraram a investigação, defendem que este novo e cativante campo de investigação que poderá ser crucial para melhorar os cuidados aos doentes.
Os autores detalham a teoria do “eixo osso–cérebro” e explicam de que forma este conceito nos pode ajudar a compreender e a tratar melhor um “assassino silencioso” como a osteoporose e a depressão.
A conclusão do novo estudo é que o eixo cérebro–osso, outrora considerado uma construção especulativa, agora “representa uma rede fisiológica legítima”.
“As implicações clínicas são substanciais e imediatas”reiteram os autores Pengpeng Lido Hospital Aeroespacial de Xi’an, Yang Yang Gaoda Universidade Médica de Ningxia, e Xu Dong Zhaoda Universidade de Jiangnan, em declarações à Alerta científico.
Como escreve a mesma revista, tanto a osteoporose como a depressão são problemas comuns entre doentes idosos. A investigação confirmou que doentes com depressão enfrentam frequentemente problemas esqueléticoscomo a redução da densidade óssea.
Por outro lado, os doentes que têm osteoporose, uma doença caracterizada por baixa massa óssea, tendem a apresentar taxas mais elevadas de depressão.
As duas condições coexistentes poderão ter ligações moleculares e celulares reais que as unem e o eixo cérebro–osso pode ser a ponte – argumentam os autores da revisão.
À primeira vista, o cérebro humano macio e os nossos ossos densos e duros podem não parecer ter muito em comum, mas a nossa compreensão científica de ambos segue uma trajetória histórica semelhante.
É possível que a depressão afete a saúde dos ossos. Por exemplo, a hiperatividade crónica das vias do stress é comum em pessoas com depressão e pode conduzir à perda óssea através da secreção de hormonas derivadas do cérebro, como o cortisol, e de respostas inflamatórias em cascata.
Por outras palavras, a gravidade da depressão e da osteoporose pode alimentar-se mutuamente através do eixo cérebro–osso.
“As investigações futuras devem validar intervenções dirigidas ao eixo através de ensaios clínicos rigorosos, mas o conhecimento actual já sustenta a incorporação deste enquadramento conceptual nas estratégias de gestão dos doentes”, escrevem os cientistas.
