
A mais famosa enciclopédia online assinou acordos com Amazon, Meta e Microsoft para distribuição de conteúdo.
Não são só os jornais. A Wikipédia também está a sofrer com a invasão da Inteligência Artificial (IA) nos conteúdos.
Ao longo dos últimos tempos, essencialmente a partir do final de 2022 (criação do ChatGPT), a plataforma gratuita passou a estar sob uma pressão maior: a IA utiliza o conteúdo da Wikipedia para treinar os seus modelos de dados.
“Os grandes modelos linguísticos IA têm estado a martelar os nossos servidores. Por isso, temos vindo a encorajá-los a inscreverem-se e a utilizarem os nossos produtos empresariais para lhes podermos dar uma alimentação”, comentou Jimmy Wales, o fundador da Wikipedia.
Jimmy justificava assim a novidade: a Wikipedia anunciou novas parcerias com empresas de tecnologia IA, como Amazon, Meta ou Microsoft.
A ideia é: “Sabem que mais? Na verdade, não podem simplesmente destruir o nosso site. Têm de entrar da forma correta“, citação ou Euronews.
É que os grandes modelos de linguagem (LLM) passaram a estar entre os maiores utilizadores do conteúdo da Wikipedia, com uma pressão constante sobre os servidores da plataforma.
Segundo Jimmy Wales, as empresas de IA que dependem do conteúdo da Wikipedia devem contribuir mais para a sua manutenção.
“Estamos a tentar trabalhar com estas empresas para, basicamente, dizer que estão a usar a Wikipedia, como toda a gente precisa da Wikipedia. Como é um conhecimento com curadoria humana, deviam provavelmente contribuir e pagar a vossa parte justa do custo que nos estão a imputar”, disse Wales.
“Eu diria que a maioria das fontes de dados, incluindo um rastreador que gerimos, mostra que as pessoas estão a tornar-se mais dependentes da Wikipedia numa altura em que os grandes modelos de linguagem e muitas das ferramentas de IA também estão a usar a Wikipedia para as ajudar a fornecer respostas”, acrescentou Maryana Iskander, CEO da Wikimedia Foundation.
A Wikimedia Foundation, a fundação sem fins lucrativos que está por detrás da Wikipédia, assegura que os donativos públicos são para apoiar o acesso gratuito dos leitores – não financiam o desenvolvimento comercial da IA.
“Não estão a fazer donativos para subsidiar estas grandes empresas de IA”, garantiu Wales.
Estes acordos juntam-se a uma parceria com a Google, e outras parcerias com Anthropic, Perplexity e Mistral AI ou Ecosia.
