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O que vai fazer Gouveia e Melo agora?



JOSE SENA GOULAO/LUSA

O candidato Henrique Gouveia e Melo discursa aos seus apoiantes na sua comissão de campanha em Lisboa

O candidato “suprapartidário” deixa a porta aberta a uma carreira política, depois de o “voto escondido” não se verificar — ficou em quarto lugar, bem longe do vencedor António José Seguro. Gouveia e Melo tem dois planos.

Foi ou favorito para ser o próximo Presidente da República, mas meses passaram-se e o candidato presidencial Henrique Gouveia e Melo foi ‘afundando’ nas sondagens. Este domingo, o almirante na reserva terminou em quarto lugar na corrida a Belém, com 12,32% e a quase 20% do vencedor da primeira volta, António José Seguro (31,11%).

Além de não ser, segundo o próprio, um “tio de Cascais”, Gouveia e Melo também sempre disse ser o candidato suprapartidário, e não ser um político. No entanto, em reação à derrota deste domingo, não fechou as portas a um futuro na política.

O candidato congratulou-se com a descida da abstenção face às eleições de 2021 e adiantou que tem dois planos em mente: ou continuar na política ou dedicar-se à sua vida privada.

Farei o que os portugueses quiserem. Tenho dois planos: Um, continuar, naturalmente; e o outro, que é dedicar-me à vida privada”, declarou.

Gouveia e Melo assumiu que os resultados da primeira volta das eleições não corresponderam aos objetivos que traçou, mas avisou que o país continuará a contar com a sua “participação cívica”.

“Os resultados ficaram aquém dos objetivos que tracei. Assumo os resultados com serenidade e com respeito absoluto pela vontade dos portugueses”, declarou. Mais à frente, o ex-chefe do Estado-Maior da Armada defendeu que, apesar do resultado, o movimento em torno da sua candidatura “constituiu uma lufada de ar fresco”.

“Depois de 45 anos a servir Portugal, posso afirmar com clareza que o país continuará a contar comigo, com a minha participação cívica, com a minha e com o meu empenho na defesa dos valores que sempre me orientaram”, salientou. Na sua declaração inicial, Gouveia e Melo disse que a sua candidatura constituiu “uma experiência” que o honrou.

“Honrou-se pela confiança recebida, pela forma como fui acolhido em todo o país e pela oportunidade de participar ativamente num momento tão relevante da nossa democracia. É com grande satisfação que concluo que este movimento que conseguiu algo que considero essencial para o futuro coletivo”, sustentou.

Especificou que, na sua perspetiva, a sua candidatura, “conseguiu agregar pessoas muito diferentes, de espetros [políticos] distintos, com histórias de vida, ideias e sensibilidades diversas”.

“Demonstramos que é possível unir a diferença quando existe uma causa maior que nos transcende a todos – e essa causa maior é o nosso país. Portugal pode e deve ser um espaço de convergência, mesmo quando há diversidade de opiniões”, acrescentou, recebendo uma prolongada salva de palmas.

Na sua intervenção inicial, Gouveia e Melo voltou a defender a tese de que é preciso “despartidarizar a Presidência da República e devolver a esse cargo a sua natureza verdadeiramente suprapartidária”.

“O país beneficia quando o Presidente da República é visto como um garante de equilíbrio, de estabilidade e de proximidade a todos os portugueses, sem exceções. Foi isso que me propus com este desafio, pela importância de trazer uma lufada de ar fresco à vida pública, de mostrar que é possível servir o país com independência, sentido de missão e espírito de compromisso, sem amarras partidárias”, completou.

Recorde-se que, durante a última semana de campanha, com a generalidade das sondagens a colocarem-no fora da segunda volta das eleições, o almirante e os membros da sua direção de campanha acreditaram que poderia existir um “voto escondido” que lhe proporcionasse uma “maioria silenciosa”.

Um “voto escondido”, segundo a direção de campanha de Gouveia e Melo, por parte de pessoas com fidelidade partidária e que não confessavam que iriam votar no almirante. Mas isso não aconteceu.

Gouveia e Melo teve neste domingo de eleições os seus piores resultados nas regiões autónomas da Madeira e dos Açores, e obteve as percentagens mais elevadas em Coimbra e Setúbal.

Tirando os casos da Madeira e dos Açores, onde o ex-chefe do Estado-Maior da Armada teve 8,1% e 10,37% dos votos, respetivamente, os resultados alcançados pela sua candidatura não registaram oscilações relevantes em território continental, situando-se entre os 13,69% e 13,41% de Coimbra e os 10,75% de Braga.

Henrique Gouveia e Melo ficou em terceiro lugar nos distritos de Castelo Branco e Beja, apenas atrás de André Ventura e de António José Seguro. Ficou em quarto lugar nos distritos de Vila Real (11,78%), Bragança (11,5%), Guarda (11,66%), Santarém (13,33%), Évora (13,01%), Faro (12,5%), Coimbra, Leiria (12,84%, Lisboa (12,97%) e Setúbal (13,69%).

As piores posições do ex-chefe do Estado-Maior da Armada, ou seja, no quinto lugar, registaram-se nos distritos de Viana do Castelo (12,93%), Viseu (12,36%), Aveiro (13%) e Porto (12,14%).

No Porto, distrito em que ficou em quinto lugar, atrás do ex-presidente do PSD Marques Mendes, Gouveia e Melo teve neste distrito apoios de peso à sua candidatura, casos do ex-ministro socialista da Saúde Manuel Pizarro e, sobretudo, do ex-presidente do PSD Rui Rio.



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