
ZAP
47,65% dos eleitores não foram votar nas presidenciais. Em 2021 era o pico da pandemia; em 2011 era mais uma reeleição…
Nas eleições presidenciais 2026, foram votar 52,35% dos eleitores, de acordo com os resultados oficiais. Ou seja, a abstenção foi de 47,65%.
Tem sido anunciado – e é verdade – que esta percentagem de abstenção é a mais baixa dos últimos 20 anos em presidenciais. Mas há diversos factores a considerar, quando se fazem comparações.
Primeiro, o que envolvem esses 20 anos? 20 eleições? 10? Não, na verdade foram só três. Ou quatro, se contarmos já com a deste domingo: 2011, 2016, 2021 e 2026. Portanto, o “bolo” total das comparações, da vitória da menor abstenção, é muito pequeno.
Segundo, também se tem sublinhado que a abstenção nas presidenciais anteriores (2021) foi muito maior, de 60,76%. Também é verdade. Mas, em Janeiro de 2021estávamos em picos de COVID-19; muitas pessoas tinham medo de sair de casa, fosse para o que fosse. É natural que a abstenção tenha sido tão alta.
Terceiro, e continuando em 2021 mas incluindo também 2011: as eleições presidenciais desses dois anos foram re-eleições. Primeiro, Cavaco Silva, depois Marcelo Rebelo de Sousa. Como sempre aconteceu em Portugal, o presidente da República pós-25 de Abril ficou sempre em Belém durante dois mandatos. Estava “ganho”. Muita gente nem foi votar. Há uma tendência de abstenção maior quando está em causa o segundo mandato de um presidente da República.
Quatro, voltando ao presente: nunca tinha havido 11 candidatos e nunca tinha havido, em presidenciais, o “fator Ventura” com tanta força. Essas duas variantes levaram mais eleitores às urnas.
Quinto, é preciso olhar para quem era candidato em 2006quando a abstenção foi bem menor (37,4%): Cavaco Silva, Manuel Alegre, Mário Soares, Jerónimo Sousa, Francisco Louçã e Garcia Pereira. Entende-se a maior adesão.
Quinto e último, mas talvez o ponto mais importante: uma abstenção de 47,65%… continua a ser muito alta. Quase metade dos eleitores preferiu nem votar.
Abstenção em presidenciais no século XXI
2001: 49,09%
2006: 37,40%
2011: 53,48%
2016: 51,34%
2021: 60,76%
2026: 47,65%
