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Musk surpreende em Davos. Envelhecer resolve-se, trabalho obsoleto, e paz ou pedaços



WEF/Flickr

Elon Musk em Davos

Musk estreou-se de surpresa em Davos, que outrora considerou uma coisa “muito aborrecida”, numa entrevista em que critica as tarifas de Trump, fala do futuro da IA ​​e dos seus robôs, e diz que envelhecer é “um problema muito solucionável” — mas que a morte tem as suas vantagens.

CEO da Tesla, Elon Muskfez uma aparição inesperada no Fórum Económico Mundial (WEF), na Suíça, numa estreia que contrastou com anos de críticas ao encontro de Davos, que chegou a classificar como elitistapouco responsável,  distante das pessoas comuns, e muito chato.

A intervenção, numa entrevista conduzida por LarryFink, presidente executivo da BlackRock e co-presidente interino do WEF, percorreu temas recorrentes do universo Musk — da inteligência artificial aos robots humanoides, passando por energia, espaço e longevidade — com poucas novidades concretas, embora com alguns prazos e metas ambiciosas.

Almíscar abriu a entrevista com uma piada aos “esforços” de Trump e do seu Conselho da Paz, usando um trocadilho com as palavras “peace” (paz) e “piece” (pedaço): “I foi tipo, essa peça é? Um pedacinho da Groenlândia. Um pedacinho da Venezuela“.

Seguidamente, Musk voltou a enquadrar a missão da Tesla como a criação de “abundância para todos”, argumentando que a combinação de IA e robótica terá um impacto económico sem precedentes.

O empresário previu que a generalização da IA e de robots em múltiplos sectores pode expandir fortemente a economia global e tornar o trabalho “obsoleto” a longo prazo.

Segundo Musk, “a IA poderá ser mais inteligente do que toda a humanidade coletivamente” por volta de 2030 ou 2031e a abundância de bens e serviços será impulsionada por um mundo com “mais robots do que pessoas”.

Musk adiantou que a Tesla espera começar a vender ao público o Optimuso robot humanoide apresentado pela empresa, “no final do próximo ano”.

O calendário surge numa altura em que investidores e analistas acompanham de perto a aposta da Tesla em produtos e serviços de automação e condução autónoma como motores de crescimento futuro.

Foi na energia que Musk se afastou de forma mais nítida do debate político norte-americano recente, criticando as tarifas dos EUA sobre painéis solaresque argumenta que criam barreiras artificiais que encarecem o investimento e tornam a implantação de solar menos atrativa do que poderia ser.

Segundo Musk, os EUA poderiam gerar eletricidade suficiente para cobrir as suas necessidades, incluindo o consumo crescente de centros de dados para IA,  usando painéis solares numa “pequena parte” de estados como Utah, Nevada ou Novo México. Na leitura do empresário, as tarifas elevadas “aumentam artificialmente” os custos, afetando a viabilidade económica da expansão.

Num tema que lhe é muito querido, o da longevidadeMusk afirmou que o envelhecimento é “um problema muito solucionável”, mas acrescentou que a morte também pode ter “benefícios”sugerindo que uma sociedade onde as pessoas vivessem para sempre poderia perder “vibração” ou dinamismo.

O tom oscilou entre o técnico e o descontraído. Musk alertou para os riscos da robótica e da IA, dizendo que “não queremos estar num filme do James Cameron” e referiu o universo de “Terminator” como exemplo de um futuro indesejável.

Houve ainda espaço para piadas sobre extraterrestres e viagens a Marte: questionado sobre a sua conhecida vontade de chegar a Marte e morrer no planeta, respondeu que “sim, mas não no impacto“, arrancando risos da plateia.

A presença em Davos acontece num momento de escrutínio sobre a atividade de empresas associadas a Musk.

Reguladores e governos de diferentes regiões têm reforçado a vigilância sobre conteúdos gerados por IA, incluindo investigações e exigências de salvaguardas relacionadas com material sexualmente explícito atribuído ao chatbot Grokda xAI, na plataforma X.

No final da entrevista, Musk fez um apelo à confiança no futuro: pediu que as pessoas estejam “optimistas e entusiasmadas” com o que aí vem.





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