web statistics
Trump disse que nunca precisou da NATO no Afeganistão. Até a “linda” irritou



YOAN VALAT; PISCINA/EPA

A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni (E), e o presidente dos EUA, Donald Trump (D), cumprimentam-se durante a cerimónia de cumprimentos perante a fotografia de família na Cimeira da Paz de Gaza, em Sharm El-Sheikh, no Egito

“Forte amizade exige respeito”, avisa Meloni. Declarações de Donald Trump “insultam também Portugal”, diz Augusto Santos Silva.

Novo dia, novamente Trump sob fogo por uma afirmação polémica. Desta vez, o presidente dos EUA, que tem criticado (quase humilhado) duramente a NATO e os países da União Europeia, afirmou que os aliados “ficaram um pouco afastados da linha da frente” e que os Estados Unidos “nunca precisaram deles” durante os 20 anos de conflito no Afeganistão.

Na entrevista na quinta-feira ao canal norte-americano Fox News, Donald Trump criticou mais uma vez o papel de Estados-membros da NATO e fez com que diversos países europeus, incluindo França, Reino Unido, Alemanha e Dinamarca manifestassem indignação com as suas declarações.

A primeira-ministra italiana, Giorgia Melonique sempre se manifestou próxima de Trump e com quem este até “flertou” há pouco tempo, manifestou surpresa e exigiu respeito ao Presidente norte-americano.

“A Itália e os Estados Unidos estão unidos por uma forte amizade […] que se torna ainda mais necessária face aos muitos desafios que hoje enfrentamos. Mas, a amizade exige respeito, condição fundamental para continuarmos a garantir a solidariedade que é a base da Aliança Atlântica”, acrescentou Meloni.

A líder do Governo ultraconservador de Itália recordou que, “após os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, a NATO ativou o artigo 5.º pela primeira e única vez na sua história: um ato extraordinário de solidariedade para com os Estados Unidos”.

“Itália respondeu imediatamente ao lado dos seus aliados, enviando milhares de soldados e assumindo a total responsabilidade pelo Comando Regional Ocidental, uma das áreas operacionais mais importantes de toda a missão internacional”, continuou Meloni.

A primeira-ministra italiana recordou ainda “o preço pago” pelo país: “53 soldados italianos foram mortos em combate e mais de 700 ficaram feridos enquanto participavam em operações de combate, missões de segurança e programas de treino para as forças afegãs”.

“É por isso que as declarações que minimizam a contribuição dos países da NATO no Afeganistão são inaceitáveis, especialmente quando vêm de um país aliado”, concluiu Meloni.

O antigo ministro português da Defesa e dos Negócios Estrangeiros Augusto Santos Silva repudiou igualmente a acusação, elogiando, numa mensagem na rede social Facebook, o “profissionalismo e competência” de milhares de militares portugueses e considerando que as declarações de Donald Trump “insultam também Portugal”.

Santos Silva ocupou a pasta da Defesa entre 2009 e 2011 e a dos Negócios Estrangeiros entre 2015 e 2021, ocasiões em que lidou “de perto com a operação no Afeganistão”.

Já o Presidente francês, Emmanuel Macronreiterou a “gratidão” às famílias dos soldados franceses mortos no Afeganistão, após as declarações “inaceitáveis” feitas por Trump.

“Estas declarações inaceitáveis não exigem comentários. É às famílias dos soldados caídos que o Chefe de Estado deseja oferecer conforto e reiterar a gratidão e a respeitosa recordação da nação”, afirmou fonte da presidência francesa, citada pela agência France-Presse (AFP).

A França manteve a presença militar no Afeganistão de 2001 a 2014, sofrendo 89 mortos e mais de 700 feridos neste teatro de operações.



Source link