
Retrato oficial de Alex Pretti em 2024 (como enfermeiro licenciado no Departamento de Assuntos de Veteranos dos EUA)
Morte de norte-americano às mãos do ICE a levantar o caos nos EUA. Pelo menos 14 publicações com recurso à tecnologia no segundo mandato de Trump. “Os memes continuarão”, disse a Casa Branca em relação à mulher que editou para pôr a chorar.
A estratégia do Governo norte-americano perante as manifestações contra a perseguição do governo de Donald Trump aos imigrantes passou esta semana pela manipulação da fotografia de uma ativista, mas ao que tudo indica, a Casa Branca também alterou a aparência de Alex Pretti, o norte-americano assassinado pelos Serviços de Imigração do país (ICE) este sábado.
A imagem da manifestante, alterada digitalmente e publicada pela Casa Branca na quinta-feira, mostra a mulher envolvida na interrupção de um culto religioso no estado do Minnesota, no último fim de semana, a chorar no momento em que é detida. Mas uma versão anterior da imagem, também publicada por uma conta oficial do Governo, mostrava a manifestante a olhar calmamente em frente, sem qualquer lágrima ou expressão de choro.
Questionada sobre a publicação, a Casa Branca admitiu indiretamente que a imagem foi alterada: remeteu para uma mensagem no X de Kaelan Dorr, vice-diretor de comunicações, que escreveu “Os memes vão continuar”.
https://t.co/ACPZFX2m3x pic.twitter.com/MyvE9HkSRA
– A Casa Branca (@WhiteHouse) 22 de janeiro de 2026
Abaixo, a foto original, não manipulada.
Investigadores de Segurança Interna e agentes do FBI prenderam Nekima Levy Armstrong, que desempenhou um papel fundamental na orquestração dos motins na Igreja em St. Paul, Minnesota.
Ela está sendo acusada de um crime federal sob 18 USC 241.
A liberdade religiosa é a base dos Estados Unidos -… pic.twitter.com/O9yp4nRio1
– Kristi Noem (@KristiNoem) 22 de janeiro de 2026
“Mais uma vez, para as pessoas que sentem a necessidade de defender, por reflexo, os autores de crimes hediondos no nosso país, partilho convosco esta mensagem: a aplicação da lei vai continuar. Os memes vão continuar. Obrigado pela vossa atenção a este assunto”, apontou.
A mulher na fotografia, Nekima Levy Armstrong, também parece ter a pele mais escura na imagem alterada, de acordo com uma análise do jornal britânico O Guardião. Foi uma das três pessoas detidas na quinta-feira devido à manifestação que interrompeu os serviços religiosos na cidade de St. Paul.
Segundo um levantamento de Outubro do Poynter Institute, a conta da Casa Branca no X, que tem cerca de 3,5 milhões de seguidores, fez pelo menos 14 publicações com recurso a IA desde o início do segundo mandato de Donald Trump.
Ao que tudo indica, dois dias depois do caso de Nekima Levy Armstrong, a Casa Branca voltou a fazê-lo, desta vez com Alex Pretti, o enfermeiro norte-americano de 37 anos morto a tiro por agentes federais este sábado — embora não se perceba ao certo a motivação do governo de Trump para o fazer.
Kristi Noem mentiu
O caso de Pretti — a ser investigado, segundo Trump, que demonstrou disposição para retirar os agentes da cidade — está a ser marcado por forte indignação graças às outras mentiras da Casa Branca.
Uma das imagens mostra Pretti a ajudar uma mulher a levantar-se e a filmar com o seu telemóvel, e não a apontar uma arma aos agentes do ICE como as autoridades afirmaram. Pretti foi atingido por spray pelos agentes e caiu. Foi então rodeado por seis agentes e repetidamente agredido antes de ser baleado.
O ZAP avisa que os vídeos que se seguem contêm imagens que podem ferir a sensibilidade dos leitores.
O vídeo mostra outro ângulo do momento em que agentes federais atiraram e mataram Alex Jeffrey Pretti, de 37 anos, no sul de Minneapolis, por volta das 9h, horário local, no sábado.
A porta-voz do DHS, Tricia McLaughlin, disse em um comunicado que os agentes dispararam “tiros defensivos” após “um indivíduo… pic.twitter.com/zh3gHapdQU
– CBS Notícias (@CBSNews) 25 de janeiro de 2026
“Os agentes tentaram desarmar esse indivíduo, mas o suspeito armado reagiu violentamente. Temendo pela sua vida e pela vida dos seus colegas ao seu redor, um agente disparou tiros defensivos”, afirmou em conferência de imprensa, este sábado, a secretária de Segurança Interna, Kristi Noem. Mas as imagens mostram que Alex Pretti — que tinha licença de porte de arma e realmente estaria armado com ela — mostram que o enfermeiro nunca pegou na pistola.
Como Renée Bommorta a 7 de janeiro por agentes do ICE, Pretti tinha 37 anos e era cidadão dos Estados Unidos.
O nível de indignação dos protestos aumentou na quinta-feira, quando agentes federais foram acusados de usar uma criança de 5 anos (que também acabou por ser presa) como isco para deter imigrantes. O superintendente das Escolas Públicas de Columbia Heights, onde Liam CR era aluno do pré-escolar, disse que a criança e o pai equatoriano — ambos requerentes de asilo — foram detidos assim que chegaram à garagem de casa, na terça-feira.
Trump: “não gosto de tiros”
Na entrevista à publicação norte-americana, Donald Trump criticou Pretti por estar na posse de uma arma: “Não gosto de tiros. Não gosto”.
“Não gosto que alguém entre num protesto com uma arma muito potente, completamente carregada e com dois carregadores cheios de balas. Isso também não é um bom sinal”, acrescentou.
Sobre uma possível retirada dos agentes do ICE, o dirigente afirmou que “em algum momento” irão sair, mas sem indicar uma data.
