web statistics
A curiosa carta de Jorge Pinto onde não apela ao voto em si



Tiago Petinga / Lusa

O candidato à Presidência da República, Jorge Pinto

O candidato presidencial Jorge Pinto pediu aos militantes do Livre e aos democratas que “votem livremente” no nome que “dê mais garantias de defesa da Constituição” numa carta em que não apela ao voto em si na eleição de domingo.

Numa carta enviada esta quinta-feira aos militantes do Livre e a “todos os democratas”, Jorge Pinto lembra que assumiu, desde o início da candidatura, que as “esquerdas ainda iam a tempo de assumir um pacto republicano, assente na defesa da República” para “enfrentar um momento histórico em que a esquerda parte de uma situação de desvantagem” significativa.

“Não preciso de vos relembrar que esta ideia foi ou menosprezada, ou ironizada, ou até deturpada. Não terá sido certamente por responsabilidade da nossa candidatura que não se avançou para um diálogo franco sobre como este pacto republicano poderia ter sido materializado, e isso até com consequências para a própria candidatura, sobre a qual, fruto desta transparência e abertura, passou a pairar permanentemente uma aura de ‘desistência’, por mais tentativas de esclarecimento feitas”, lamenta.

Esta missiva surge horas depois de o candidato apoiado pelo Livre ter dito que percebe que os eleitores queiram votar numa candidatura que impeça uma segunda volta entre um candidato antidemocrático e outro “demasiado próximo do Governo”.

Jorge Pinto entende quem não votar em si

Jorge Pinto salienta a importância da sua candidatura, mas, dirigindo-se aos eleitores, pede-lhes que façam as “suas escolhas de forma consciente” e agradece aos que já votaram, mas ressalva que entende os que “gostariam de votar” em si mas “não o farão com receio do que possa ser a segunda volta”.

Sem nunca apelar ao voto na sua candidaturaJorge Pinto diz que “entende e ouve” os que não votarão em si, mesmo que fosse essa a sua vontade, e pede a todos que “votem, livremente, no nome que a consciência ditar e que mais garantias dê de defesa da nossa Constituição”.

“Esta será uma luta a travar logo na campanha da segunda volta das presidenciais, na qual a nossa pressão tem de garantir que o tema se mantém na agenda e que os portugueses, os agentes políticos e o próximo Presidente da República têm consciência do risco de golpada constitucional que temos pela frente. Assim como assegurar o mais importante – que são tomadas todas as medidas possíveis para a defesa da nossa Constituição”, afirma.

Desistência fora de questão – por um motivo forte

O candidato apoiado pelo Livre frisa, como já fez nesta campanha, que as desistências na corrida a Belém “dificilmente se repetirão”dada a implementação de voto antecipado.

Para Jorge Pinto, com a possibilidade de se votar antecipadamente, os “prazos para qualquer tipo de convergência são drasticamente antecipados” uma vez que “nenhuma candidatura irá abdicar de estar oficialmente no boletim já depois de votos terem sido expressos”.

“Caso isso acontecesse, todos esses votos passariam a ser considerados como nulos e isso seria trair aqueles que em nós confiaram e trair o seu próprio sentido de voto. Portanto, a não resposta por parte de outras candidaturas à proposta e abertura para um pacto republicano logo quando ele foi anunciado e proposto, significou, na prática, a impossibilidade de qualquer forma de convergência”, frisa.

Seguro ‘agradece’

António José Seguro tomou “boa nota” da declaração de Jorge Pintoque pediu aos eleitores para que “votem livremente”.

“Eu tomo boa nota da declaração que o candidato Jorge Pinto acabou de fazer e reafirmo aquilo que tenho dito nos últimos dias e ainda hoje, que é necessário que cada portuguesa e cada português dê utilidade ao seu voto. O único candidato moderado, o único candidato do centro-esquerda, o único candidato que é fiel e leal à Constituição da República Portuguesa e que pode passar à segunda volta, sou eu”, começou por responder.

Questionado sobre se esta declaração do candidato apoiado pelo Livre não vinha tarde, Seguro respondeu que “todos os votos que chegarem até às 19 horas do próximo domingo vêm a tempo”.



Source link