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Com a passagem aos play-offs garantida, o Sporting precisava de ganhar em Bilbau para se apurar diretamente para os oitavos da Champions League. O Benfica precisava de ganhar na Luz ao poderoso Real Madrid, e que os leões ganhassem — e dependia ainda de outros resultados. Os astros alinharam-se.
Foi uma noite épica para Benfica e Sporting. Ambas as equipas venceram os seus jogos e garantiram continuidade na Champions League — no caso dos leões, diretamente para os oitavos de final da prova.
Mas quando os jogos de ambas as equipas chegaram aos respetivos minutos 90o cenário era bem diferente. O Sporting empatava com o Atlético em San Mamés e ia aos play-offs; o Benfica ganhava ao Real Madrid por 3-2, mas não era suficiente: estava fora da prova.
Eis senão quando dois heróis improváveis entram em cena, e operam um golpe de teatro nos dois relvados.
Depois de uma já épica vitória em Alvalade na penúltima jornada, sobre o PSG, campeão em título, os leões entraram em San Mamés com uns confortáveis 13 pontos, que lhe garantiam o apuramento para os play-offs, e com possibilidades de se apurar diretamente. Bastava ganhar ao Atlético.
O Sporting entrou mal no jogo, e aos 3 minutos já estava a perder, após uma falha defensiva de Hjulmand. Durou pouco a desvantagem; aos 12, Diomande fez o empate, de cabeça, na sequência de um canto marcado por Maxi Araújo.
Também pouco durou a igualdade; aos 28, o Atlético coloca-se de novo em vantagem, que segurou até ao intervalo.
Tudo foi diferente na segunda parte. O Sporting entrou melhor, a dominar e criar perigo. Aos 60 minutos, ainda o 2-1 no marcadormas a equipa leonina é de longe, na liga portuguesa, a que mais golos marca na última meia hora de jogo. E Trazer tinha entrado, minutos antes…
Dito e feito: 62 minutos, golo de Trincão a restabelecer a igualdade. O 2-2 manteve-se até ao último minuto do tempo regulamentar, resultado que não aquecia nada para os leões e arrefecia as águias, que precisavam de uma vitória dos rivais de sempre para acalentar esperança de se apurar.
Na Luz, numa noite chuvosa, o Benfica já estava a fazer um pouco de história frente ao mítico Real Madrid. Depois de um golo de Mbappé, que gela as bancadas aos 30 minutos, Schjelderup restabelece a igualdade poucos minutos mais tarde, aos 36.
No último dos 5 minutos de tempo extra da primeira parte, o grego Pavlidisdesta vez como quase sempre, não falha o penáltie coloca o Benfica em vantagem por 2-1 na ida para os balneários.
Ainda não havia um quarto de hora da segunda parte, Andreas Schjelderup volta a fazer das suas, bisa e aumenta a vantagem encarnada: 3-1 para o Benfica. O norueguês candidatava-se a herói da noite, mas esta não era a sua hora de glória.
Aos 58 minutos, também Mbappé bisou, colocando o resultado em 3-2. O Benfica ganhava mas não chegavae o Sporting empatava em Espanha, de onde não vinham bons ventos.
Acaba o tempo regulamentar nos dois jogos, 5 minutos de tempo extra em ambos. E chega a hora dos heróis improváveis.
Aconteceu primeiro em Bilbau. Aos 90+4, Luis Suárez isola-se frente a Unai Simon e tem tudo para fazer o golo da vitória, mas o guarda-redes basco faz uma grande defesa. Porém, Alisson Santosque poucos minutos antes tinha saltado do banco, recupera a bola em frente à grande área adversária e fuzila a baliza.
Pela terceira vez na Champions, o extremo brasileiro tinha entrado em campo para entregar a vitória aos leões. Primeiro ao fazer o 2-1 com que o Sporting venceu o Marselha em casa; na semana passada, com uma assistência para o 2-1 de Suárez. Nesta noite, fez o 3-2, o seu terceiro golo na prova. O primeiro herói da noite.
Com a vitória, o Sporting fez 16 pontos e apurou-se diretamente para os oitavos, em 7º lugar. Ainda encaixa mais 13 milhões de euros e 11,75 pontos para o pecúlio das equipas portuguesas nos classificações e UEFA. A noite correu-nos bem: duas vitórias, derrotas e afastamento do Ajax e PSV, Portugal ultrapassou os Países Baixos.
Não é comum na Luz celebrarem-se os golos do rival — e também não foi desta. Mas o resultado em San Mamés dava jeito. Era essencial, mas não chegava: a ganhar por 3-2, os encarnados tinham 9 pontos e estavam em 25º lugara um do 24.º que daria o apuramento para os play-offs.
Acima do Benfica, na 23ª e 24ª posição, duas equipas com os mesmos 9 pontos do Benfica, mas com melhor diferença de golos marcados e sofridos: Marselha e Bodø/Glimt. O Benfica precisava de marcar mais um golo ao Real Madrid para ultrapassar o Marselha, que já tinha fechado o seu jogo, com uma derrota por 3-0.
Aos 90+6, já passados os 5 minutos extra dados pelo árbitro, Jude Bellingham faz uma falta a meio campopróximo da baliza do Real, um pouco descaído para o lado direito. No mesmo minuto, Rodrygo vê o segundo cartão amarelo e deixa o Real Madrid, que já tinha visto Raúl expulso, a jogar com 9.
Era o último suspiro do jogo, e Mourinho mete o dedo. Berra para a sua grande área e ordena ao guardião Trubin que vá para a área adversária. O ucraniano assim fez.
Na marcação da falta, a bola é levantada por Aursnes para a entrada da área, sobrevoa a defesa adversária, e surge nas alturas o guarda-redes das águiasmais alto do que todos, a cabecear de forma indefensável para fazer o 4-2 de que o Benfica precisava para se apurar.
Foi a absoluta loucura no estádio da Luz, foi a noite de glória para Anatoly Trubinfoi a noite dos heróis improváveis.
