
A União Europeia emite todos os anos milhares de Cartões Azuis a nacionais de países terceiros altamente qualificados. Mas que nacionalidades recebem mais — e que país da UE emite mais? E quantos emite Portugal?
Em 2024, os cidadãos indianos receberam o maior número de vistos para trabalhadores altamente qualificados e investigadores, segundo os dados mais recentes do Eurostat, o gabinete de estatísticas da UE.
Esta tendência deverá continuardepois de a UE e a Índia terem assinado recentemente um acordo de comércio livre que inclui um “quadro abrangente de cooperação em matéria de mobilidade”.
Este quadro tem o objetivo de “facilitar a mobilidade de trabalhadores qualificados, jovens profissionais e trabalhadores sazonais em sectores com carência de mão de obra, promovendo simultaneamente a investigação e a inovação“.
Ó Cartão Azul é a versão europeia do famoso Cartão Verde norte-americano, e pode ser obtido em todos os países da UE, exceto na Dinamarca e na Irlandaque optaram por não aderir. Em 2024, foram emitidos cerca de 78.100 Cartões Azuis.
São elegíveis para Cartão Azul todos os cidadãos não comunitários que tenham um diploma universitário ou qualificação equivalente e uma oferta de emprego com um salário que cumpra o limiar estabelecido pelo país da UE a cuja residência se candidata.
Além dos direitos de trabalho e residência, o Cartão Azul ao titular viajar para outros Estados-membros da UE até 90 dias em qualquer período de 180 diasnota ou O Local.
Em 2024, foram os cidadãos indianos a receber o maior número de Cartões Azuis (16.300), à frente dos cidadãos da Rússia (6.700, um número que diminuiu face aos 9.500 de 2023), da Turquia (5.600) e da China (4.600). Foram emitidos quase 1.900 cartões a cidadãos norte-americanospouco mais de 1.200 a britânicos e quase 600 a nacionais canadianos.
Tal como em anos anteriores, foi a Alemanha quem emitiu o maior número de Cartões Azuis , mais de metade do total (56.300)embora se tenha verificado uma diminuição face aos 69.300 de 2023. Destes cartões, foram emitidos 13.300 a cidadãos indianos, 4.500 a turcos, 3.800 a chineses e 3.700 a russos.
A grande distância da Alemanha, segue-se a Polónia (5.900 cartões emitidos), Hungria (2.900), França (2.800) e Espanha (2.000). A Áustria emitiu 1.100 Cartões Azuis da UE, a Itália 600 e a Suécia apenas 62, valores que diminuíram todos em comparação com o ano anterior.
Segundo os dados do Eurostat, Portugal emitiu apenas 16 Cartões Azuis em 2024, menos 35% do que os 26 emitidos em 2023.
Estudo e investigação
Os dados do Eurostat sobre profissionais altamente qualificados incluem também autorizações de estudo e investigaçãobem como os vistos emitidos pela UE para transferências intraempresariaisque se referem a trabalhadores temporariamente transferidos de uma empresa fora da UE para uma filial num país da UE.
Em 2024, os países da UE emitiram 475.000 vistos para fins de estudo e investigação. Foi a Alemanha quem emitiu mais (131.000)seguida da França (118.000) e de Espanha (59.000), enquanto a Suécia emitiu 16.000, a Áustria 8.200 e a Itália 2.100. Portugal emitiu 16.653 vistos para estudo e investigação, um número 17 vezes superior aos 979 vistos emitidos em 2023.
Os principais destinatários foram novamente os cidadãos indianos (53.000), seguidos de cidadãos da China (44.000), Marrocos (23.000) e dos Estados Unidos (22.000). A maioria dos indianos estudou na Alemanha (26.400), França (7.300), Suécia (2.500) e Países Baixos (2.300).
Aproximadamente 21.700 norte-americanos receberam vistos de estudante e investigador, dos quais 7.400 foram em França, 5.400 em Espanha, 3.400 na Alemanha e 2.400 nos Países Baixos. Os britânicos receberam 7.200 vistos de estudo e investigação, dos quais 2.100 foram em França, 1.700 em Espanha e 800 na Alemanha.
Quanto aos vistos intraempresariaiso total em 2024 foi de pouco mais de 10.200, dos quais 2.400 emitidos pelos Países Baixos, 2.000 pelo Luxemburgo, 1.800 pela França e 1.500 pela Alemanha.Portugal emitiu apenas 4 vistos empresariais, quase metade dos 7 emitidos em 2023.
Os cidadãos indianos e chineses (3.300 e 2.200, respetivamente) constituíram a maioria dos destinatários.
