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“Esta é a história de uma galáxia fracassada”



A. Blessing-Llambay e al. 2024

Astrónomos identificaram objeto raro no universo próximo que poderá ser um exemplo direto de uma “galáxia falhada”.

Um consórcio internacional de astrónomos identificou, com o Telescópio Espacial Hubble da NASA, um objeto raro no universo próximo que poderá ser um exemplo direto de uma “galáxia falhada”: uma nuvem compacta de gás sem quaisquer estrelas visíveis e aparentemente dominada por matéria escura.

A estrutura foi baptizada Nuvem-9. O nome Nube-9 reflete a sua posição como a nona concentração gasosa identificada perto da galáxia espiral Messier 94, com indícios de possíveis interações entre ambas. Para já, a nuvem torna-se um “laboratório natural” para investigar os limites da formação de galáxias e as propriedades da matéria escura.

Segundo os autores do estudoa descoberta confirma previsões de longa data de modelos teóricos sobre a existência de concentrações de matéria escura capazes de reter gás, mas incapazes de o comprimir o suficiente para desencadear a formação estelar.

Alejandro Benítez-Llambayda Universidade Milano-Bicocca e investigador principal do estudo, sublinha que a ausência total de estrelas não é um vazio de informação, mas um resultado-chave: para os cientistas, o “fracasso” em formar estrelas é precisamente o sinal de que estão perante um tipo de estrutura que se esperava encontrar, mas que permanecia por confirmar.

A Nube-9 enquadra-se na categoria das RELHICs (sigla em inglês para “Nuvens de HI de Reionização Limitada”), objetos compostos por hidrogénio neutro (HI) que terão surgido nas fases iniciais do Universo e que, apesar de conterem gás, nunca iniciaram a formação de estrelas.

Para André Fox, a nuvem funciona como “uma janela para o universo escuro”, por permitir estudar matéria escura de forma indireta num sistema onde quase não há luz produzida por estrelas, cita o Física.

A confirmação exigiu a sensibilidade do Hubble: Gagandeep Anand, autor principal, explica que observações anteriores não excluíam a hipótese de se tratar de uma galáxia anã extremamente ténue, invisível a telescópios terrestres.

Com a Câmara Avançada para Pesquisas do Hubble, a equipa concluiu que não existem estrelas detetáveis ​​associadas ao objeto.

Ao contrário de muitas nuvens de hidrogénio próximas da Via Láctea, geralmente extensas e irregulares, a Nube-9 é pequena, compacta e quase esférica.

O núcleo de HI terá cerca de 4.900 anos-luz de diâmetro e conterá aproximadamente um milhão de massas solares em gás. A partir deste valor, os investigadores estimam que, se o gás estiver em equilíbrio com a gravidade de um halo de matéria escura, a massa total do sistema poderá atingir cerca de cinco mil milhões de massas solares — suficiente para manter o gás unido, mas não ao ponto de o fazer colapsar e formar estrelas.



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