
Ashley St.Clair
A influencer Ashley St.Clair é mãe do 13º dos 14 filhos (conhecidos) de Elon Musk
Ashley St.Clair, mãe do 13º filho de Elon Musk, está a processar a empresa de inteligência artificial do empresário, alegando que o Grok permitiu aos utilizadores gerar imagens ‘deepfake’ de exploração sexual a partir de fotografias suas – incluindo de quando era menor.
Um influenciador Ashley St.de 27 anos, alega num processo aberto na quinta-feira em Nova Iorque contra a xAI que o Grok está a gerar imagens falsas de carater sexual, que incluem uma foto sua vestida, aos 14 anosque foi alterada para a mostrar em biquíni.
A influenciadora conservadora, de religião judaica, deu como exemplos outras imagens de conteúdo manipulado que a mostram já adulta, em poses sexualizadas e a usar um biquíni com suásticas.
Questionada sobre o processo e as alegações de St. Clair, a xAI disse apenasnuma resposta escrita à Associated Press: “Os media tradicionais mentem“.
Os advogados da xAI, que desenvolveu a ferramenta de IA Grok, disponibilizada aos utilizadores da rede social X – também detida por Elon Musk – não responderam até ao momento ao processo.
St. Clair diz que denunciou os deepfakes à X em 2024, depois de terem começado a aparecer, e pediu que fossem removidos, por lhe causarem humilhação e sofrimento emocional. Segundo a influencer, a X respondeu primeiro que as imagens não violavam as políticas da plataforma. Depois, terá prometido não permitir que imagens de St. Clair fossem usadas ou alteradas sem o seu consentimento.
St. Clair diz que a rede social retaliou então, removendo a subscrição paga da X e o selo de verificaçãonão lhe permitindo monetizar a sua conta, que tem um milhão de seguidores.
“Sofri e continuo a sofrer dores graves e angústia mental como resultado do papel da xAI na criação e distribuição destas imagens digitalmente alteradas de mim”, diz a influenciadora.
“Estou humilhada e sinto que este pesadelo nunca vai acabar enquanto o Grok continuar a gerar estas imagens minhas,” realça St. Clair, num documento anexado ao processo. A influenciadora acrescenta que vive com medo das pessoas que cama.
A ninhada do Apocalipse
Ashley St. Clair, que é mãe de Romulus, 13º filho de Elon Musk, de 16 mesesvive em Nova Iorque, onde apresentou o processo, no qual pede uma indemnização de valor não divulgado, bem como ordens judiciais que impeçam imediatamente a xAI de permitir a produção de mais deepfakes seus.
Em abril do ano passado, St.Clair disse ao Jornal de Wall Street que o bilionário da tecnologia, que tem 14 filhos, quer ter uma “legião” de crianças para se preparar para o apocalipse.
Clair, conhecida pelas suas posições políticas de direita nas redes sociais, mostrou ao WSJ textos de Musk que recebeu quando estava grávida, nas quais o bilionário sugeria que se arranjassem outras mulheres para terem os seus filhos mais depressa.
“Para atingir o nível de legião antes do apocalipsetemos que usar substitutas”, diz uma das mensagens. O CEO da Tesla refere-se à sua numerosa ninhadade quatro mulheres, como a sua “legião”uma expressão do tempo do Império Romano.
Fontes próximas do empresário tecnológico disseram ao WSJ que o número real dos filhos de Musk é “muito superior ao que é conhecido publicamente“.
O bilionário escreveu em setembro de 2024 no X que considera fundamental que nos tornemos multiplanetários “para garantir a sobrevivência a longo prazo da humanidade e de toda a vida tal como a conhecemos”.
Musk, que defende crenças “pronatalistas”diz que a civilização humana está ameaçada devido ao declínio da populaçãovê com preocupação as taxas de natalidade elevadas dos países do terceiro mundo, e faz parte do clube dos “homens poderosos que querem que as mulheres façam mais bebés“.
O contra-ataque da X
Na quinta-feira, a xAI apresentou uma contra-ação contra St. Clair no estado do Texas, alegando que a influenciadora violou os termos do contrato de utilizador da xAI, que exige que as ações judiciais contra a empresa sejam apresentadas no Texas.
Em comunicado, a advogada de St. Clair, Carrie Goldbergclassificou a contra-acção como uma manobra chocante e sem precedentes.
“Mas, francamente,ualquer jurisdição reconhecerá o cerne das alegações da senhora St. Clair, que, ao fabricar imagens sexualmente explícitas e não consensuais de raparigas e mulheres, a xAI é um problema público e um produto não razoavelmente seguro”.
Na quarta-feira, o X anunciou medidas para impedir o Grok de despir pessoas reais, nos países em que tal prática for ilegalapós um movimento internacional de indignação contra o Grok pela possibilidade que a IA de Musk oferece de modificar imagens, que tem sido usada para publicar deepfakes de mulheres e adolescentes em poses sexualizadas.
“Implementámos medidas tecnológicas para impedir que a conta Grok permita a edição de imagens de pessoas reais com roupas reveladorascomo biquínis”, indicou a rede social de Elon Musk numa mensagem publicada na plataforma.
Apesar destas medidas, vários utilizadores relataram nos últimos dias que continuam a conseguir gerar este tipo de imagensque já levaram alguns países, como a França, Reino UnidoIndonésia, Malásia e Filipinas, um bloquear o acesso ao Groke a protestos formais da União Europeia.
Na semana passada, uma análise conduzida pela organização não-governamental AI Forensics a mais de 20 mil imagens geradas pelo Grok revelou que mais de metade retratava indivíduos com pouca roupa, 81% dos quais eram mulheres e 2% dos quais pareciam ser menores de idade.
O procurador-geral da Califórnia anunciou na quarta-feira a abertura de uma investigação à xAI.
