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Provas indicam que auxiliares de Bolsonaro mentiram à PF sobre joias

ByEdgar Guerreiro

Ago 12, 2023

As provas colhidas pela Polícia Federal indicam que auxiliares do ex-presidente Jair Bolsonaro mentiram em seus depoimentos sobre o armazenamento das joias dadas de presente ao governo brasileiro.

Ouvidos no inquérito sobre a tentativa de retirada do kit de joias sauditas na alfândega do Aeroporto de Guarulhos, Osmar Crivelatti e Marcelo Câmara afirmaram que um outro conjunto de joias sauditas presenteadas a Bolsonaro ficou armazenado na fazenda de Nelson Piquet, no Distrito Federal.

As mensagens de celular trocadas entre eles e o ex-ajudante de ordens Mauro Cid, que fazem parte da investigação da PF, mostram que eles sabiam que essas joias haviam sido levadas ao exterior para uma

Ao serem ouvidos na investigação das joias, eles foram alertados pela PF que tinham compromisso de dizer a verdade na condição de testemunhas dos fatos. Esse descumprimento pode resultar em delitos como o de falso testemunho, mas ainda não há definição se eles serão investigados também por causa disso.

Câmara e Crivelatti foram responsáveis por realizar o armazenamento das joias na Fazenda Piquet. Questionado pela PF sobre o assunto, Câmara afirmou ter “certeza” que as joias estavam na fazenda Piquet e que não foram levadas ao exterior. “Tem certeza que as joias não foram levadas aos EUA, pois o depoente estava nos EUA juntamente com o ex-presidente da República Jair Bolsonaro, e sabe que elas não estavam lá”, disse Câmara em seu depoimento prestado em 5 de abril.

JOIAS JÁ ESTAVAM NOS EUA DESDE DEZEMBRO
A PF, entretanto, encontrou diálogos mantidos entre Câmara e Mauro Cid sobre esse kit de joias, citado na investigação pelo nome “Kit Ouro Rose”. Segundo a PF, tratava-se de um conjunto de itens masculinos da marca suíça Choppard, contendo uma caneta, um anel, um par de abotoaduras, um rosário árabe e um relógio, e foi entregue a um representante do governo brasileiro em outubro de 2021.

Em dezembro do ano passado, o material foi levado para os Estados Unidos e colocado em leilão.

O material acabou não sendo vendido e, após a publicação da reportagem do jornal “O Estado de S. Paulo” sobre irregularidades envolvendo joias sauditas dadas a Bolsonaro, Cid e os auxiliares do ex-presidente se mobilizaram para devolver o material. A reportagem foi publicada em 3 de março deste ano.

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