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A nova parceria Marcelo/Costa – Observador Feijoada

ByEdgar Guerreiro

Set 10, 2023

Durante 8 anos, Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa precisaram de se apoiar mutuamente. Costa chegara a primeiro-ministro de uma forma original e precisava do beneplácito do novo presidente para se afirmar. Já Marcelo pretendia ser diferente de Cavaco e de Passos Coelho, ser um chefe de Estado próximo das pessoas, logo uma pessoa satisfeita e a vender boa-disposição. Tanto Marcelo como Costa compreenderam que as notícias tinham de ser boas; a mensagem, positiva; os ânimos, quando possível, vividos ao rubro. Tendo em conta a natureza dos dois, o desafio não foi difícil.

Não é que o Presidente da República não estivesse ciente das dificuldades. Na verdade, desde o início que se sabiam duas coisas: uma, que a governação de António Costa conduziria o país a um beco sem saída, com o Estado em dificuldades para manter o funcionamento das suas estruturas sociais e até políticas; outra, que na segunda metade do seu último mandato o Presidente da República teria de se demarcar do primeiro-ministro, caso quisesse deixar algum legado que não fossem as ‘selfies’.

Mas entre 2016 e 2022, Marcelo percebeu que era mais popular estar ao lado do governo. Os dados macro-económicos, apesar de não sustentáveis, eram positivos e a pandemia contribuiu para que não hostilizasse o governo. Fazê-lo seria demasiado arriscado e Marcelo pode ter muitas qualidades, mas não é pessoa para isso. Assim se torna claro por que apenas este ano o Presidente descobriu que o governo se limitou a reverter o que foi feito durante a troika, seja na lei laboral, no arrendamento e até na redução do número de funcionários públicos. Que apenas agora se tenha dado conta da falta de reformas, seja na justiça ou na saúde, na educação ou na segurança social, da paralisação na habitação e da inquietação nas forças armadas. Que o défice das contas públicas foi reduzido à custa de cativações (pontuais e não estruturais) e das ajudas do BCE, algo sem sustentabilidade, ao ponto de não passar de um castelo de cartas que uma leve brisa vinda da Europa deita abaixo. De então para cá não foi o país que piorou ou o governo que mudou, mas o interesse imediato do Presidente no actual cenário político.

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