• Seg. Abr 15th, 2024

“Tive de recusar o De Niro para um papel, só voltámos a falar 40 anos depois” – Observador Feijoada

ByEdgar Guerreiro

Set 11, 2023

Será porventura da idade, da experiência, do conhecimento e do hábito. Com 96 anos, as respostas de Jerry Schatzberg encontram depressa o caminho da memória das pessoas, daquelas com quem trabalhou e confraternizou. E, assim, do nada, estamos a falar de Al Pacino, de Faye Dunaway, de Morgan Freeman, Bob Dylan ou Robert De Niro. A história deste homem passa por eles, mas eles nunca são usados como uma âncora para o discurso, nem os nomes surgem como caramelos atirados perante uma plateia gulosa.

Fotógrafo desde os 27 anos, trabalhou com revistas como a Vogue ou a Esquire. É graças a um trabalho para esta última que conhece Faye Dunaway e começam uma relação que a leva até ao primeiro filme do realizador, “Tempo de Viver”, sobre uma modelo que recorda o passado enquanto vê o presente cair em ruínas. É um grande, grande filme. Schatzberg descobre Pacino pouco depois e a amizade resulta em dois filmes marcantes, “Pânico em Needle Park” e “O Espantalho”. Estes três títulos poderiam ter colocado o realizador no imaginário da Hollywood que estava a nascer com Coppola, Scorsese, Lucas e Spielberg, mas tal caminho  não se concretizou. Em parte, porque o realizador queria estar fora.

Interessava-lhe a fotografia. O cinema acontecia quando era algo que Schatzberg queria mesmo fazer, queria sempre que um filme fosse melhor do que o anterior. Essa atitude levou-o a recusar algumas produções – entre as quais, “Nasceu uma Estrela”. A partir dos anos 1990 começa a vender mais fotografias e a expor mais, neste século os filmes que realizou começaram a estar mais presentes num imaginário de uns Estados Unidos dos anos 1970 e 1980. Jerry Schatzberg pode querer estar fora da conversa em volta da sua pertença a determinados grupos, mas os filmes que assinou ficaram inscritos nos ventos de mudança do cinema norte-americano. Para descobrir ou rever ao longo deste mês num ciclo apresentado na Cinemateca Portuguesa.

Este artigo é exclusivo para os nossos assinantes: assine agora e beneficie de leitura ilimitada e outras vantagens. Caso já seja assinante inicie aqui a sua sessão. Se pensa que esta mensagem está em erro, contacte o nosso apoio a cliente.



Source link

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *