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Diede de Groot, a tenista que não perde há mais de dois anos – Observador Feijoada

ByEdgar Guerreiro

Set 13, 2023

Muito possivelmente, ela vai terminar a carreira com mais Grand Slams do que Margaret Court, Serena Williams ou Steffi Graf, as mulheres no topo da lista em número de Majors conquistados ao longo da carreira. Ainda assim, o reconhecimento que tem face aos maiores nomes do ténis feminino mundial é incomparavelmente menor. Ela, Diede De Groot, venceu o US Open 2023 para atletas em cadeira de rodas. Ao bater na final Yui Kamiji (6-2 e 6-2), a neerlandesa arrecadou o vigésimo Grand Slam da carreira.

Poucas tenistas podem dizer que conquistaram o número de títulos que Diede De Groot conquistou. No entanto, igualmente invulgar é a forma como o conseguiu. A número 1 do mundo no ranking de tenistas em cadeira de rodas não perde um jogo desde fevereiro de 2021. Na altura, cedeu perante Yui Kamiji, em Melbourne, por 6-1 e 6-4. Desde aí, não mais voltou ser derrotada em nenhum encontro, vencendo todos os torneios individuais em que participou.

“Começas-te a habituar”, comentou Diede De Groot em relação ao que sente quando ganha um Grand Slam, contrapondo a sua situação com a de Coco Gauff que venceu o primeiro neste US Open. “Vi a Coco. A primeira vez vai ser sempre a melhor. Por isso, sim. O sentimento é um bocadinho menor”. O Major de Nova Iorque é o primeiro que a neerlandesa conquistou seis vezes (2018, 2019, 2020, 2021, 2022 e 2023). A tenista de 26 anos venceu ainda quatro vezes em Roland Garros, cinco em Wimbledon e cinco na Austrália.

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“Não controlo os números. Gosto de não me preocupar com isso, porque vou começar a pensar ‘Quero conquistar aquilo ou quero chegar a isto’. Quero-me focar no meu jogo”, referiu a jogadora. “Ser consistente é o que mais me orgulho”.

Diede De Groot nasceu com a perna direita mais curta do que a esquerda, o que a obrigou usar uma prótese desde muito nova. As operações que realizou não lhe permitiram resolver o problema, ficando dependente da prótese em definitivo. Ainda assim, isso não a impediu de praticar desporto. Começou pela natação, mas acabou por experimentar ténis aos sete anos. Apesar de não depender da cadeira de rodas para viver, utiliza-a para competir.

“Acho que se jogássemos, por exemplo, eu, a Serena, a Yui Kamiji [número 2 do ranking feminino de ténis em cadeira de rodas] e a Venus, as pessoas iam ficar ‘Nós queremos assistir, porque queremos ver a Serena’. Mas depois, ao mesmo tempo, as pessoas iam-nos ver. Ia ser bom receber esse incentivo, porque elas [as irmãs Williams] têm os números, nós temos a alegria”, refletiu citada pelo The Guardian. “Nunca me compararia [com Serena Williams]”, continuou. “A maneira como ela lutou por tantas coisas… Sou uma grande fã e acho que, à minha maneira, estou a tentar fazer a mesma coisa, mas acho que é a uma escala muito menor”.

Diede De Groot está a apenas um Grand Slam de igualar a mulher recordista de títulos em cadeiras de rodas. Esther Vergeer, também ela neerlandesa, tem 21 Majors, sendo que, enquanto competia, Wimbledon ainda não fazia parte do circuito de ténis em cadeira de rodas. De Groot tem também uma medalha de ouro em Jogos Paralímpicos, conquistada na última edição da prova em Tóquio.





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