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não fuja, não desligue, não desista – Observador Feijoada

ByEdgar Guerreiro

Set 13, 2023

A quem está aí desse lado: temos as nossas divergências. É natural, vem com a profissão. Quem escreve sobre televisão vê, em princípio, mais televisão do que o leitor. Por ver mais, também vê muita coisa de que não gosta, muita coisa má (duas coisas diferentes) e quando chega ao dia em que é preciso escrever sobre um desses dois universos — aquilo de que não se gosta / aquilo que é claramente mau — muita coisa acumulada vai cair nas palavras e nas frases. Quando as opiniões se encontram, o leitor tem um amigo (e o crítico também). Quando não se encontram, o leitor acha que o crítico ou é um tipo frustrado, um avençado qualquer do sistema (seja lá o que isso for) ou um incompetente (também pode ser).

Eis uma coisa de que pouco se fala nesta relação mas que é comum tanto a quem critica como a quem lê (e que também critica, ainda que de outra forma): a experiência, a quantidade de horas em frente à TV, que geram uma espécie de instinto. Por vezes, sabemos que “há ali qualquer coisinha” e isso leva-nos a continuar a ver séries que, por vezes, têm primeiros episódios fracos. A indústria quer chamar a atenção do espectador em minutos, em segundos até. Se não funciona, é descartável, segue-se para o próximo produto. O espectador tem outras coisas para fazer, não se dá ao luxo de se aborrecer a ver televisão para depois ser surpreendido. Mas, o crítico sim. O crítico deve. E é essa linha que separa ambos. O aborrecimento também é um ofício, um que por vezes soa a privilégio. E para fundamentar uma ideia muitas vezes é preciso atravessar o deserto do aborrecimento.

Isto tudo para garantir: “Wolf” (que se estreia esta quinta-feira, 14 de setembro, na HBO Max) não vai ser fonte de aborrecimento. Mas é muito possível que o primeiro episódio tenha sabor de engano e que isso seja desmotivador. Estou aqui para assegurar o contrário. “Wolf” é um thriller a sério e faz uma coisa rara na ficção televisiva de hoje: responde a todas as questões que levanta. E faz isso acontecer em simultâneo com uma carrada de twists, muitos deles inesperados, todos eles a fazer sentido. Até aquele que surge nos últimos instantes da série.

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