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O mistério da educação (XV) – Observador Feijoada

ByEdgar Guerreiro

Set 17, 2023

É motivo de censura generalizada que depois de vários anos a aprender coisas que só em Portugal se ensinam cada vez mais pessoas se sintam inclinadas a ir pregar para outras freguesias. O ensino custa muito dinheiro; e esse dinheiro, que vem em parte de um milhão de portugueses, é a seguir usado para dar de comer a outro milhão de portugueses: os que ensinam. Famílias inteiras correm pois o risco de morrer à fome; e Portugal de languescer como as cassetes e as carvoarias.

O problema requer uma solução; e tem preocupado aqueles cujo talento mais permanente é o de as encontrar. Uma abordagem recente mostra engenho: consiste em imaginar um modo para as pessoas com quem se gastou tanto dinheiro não se sentirem tentadas por outras latitudes. Foi alvitrada a ideia de devolver a quem tanto aprendeu o dinheiro que pagou por esse privilégio. O incentivo porém não pareceu a outros promissor, por razões técnicas: como quem pagou pagou muito pouco daquilo que a sua aprendizagem realmente custou, receberá muito pouco; e por isso o voltar a encontrar-se com o seu anterior dinheiro não constituirá uma tentação capaz.

A solução só pode ser penal. O quadro internacional em que nos movemos impede porém que se confisquem certos passaportes ou introduzam controles fronteiriços de modo permanente. Não é difícil imaginar os custos reputacionais que sobreviriam se pensássemos em impedir os nossos jovens de mudar de país; e sem falar nas dificuldades logísticas. Um diplomado é virtualmente indistinguível de um iletrado, pelo menos na perspectiva de um guarda fronteiriço; e dada a necessidade de o demonstrar, os instruídos agiriam sem dificuldade durante as inspecções como perfeitos iletrados.

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