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Países Baixos. Os direitos humanos no centro dos cuidados de saúde mental – Observador Feijoada

ByEdgar Guerreiro

Set 18, 2023


René Keet é psiquiatra e diretor do serviço comunitário de saúde mental GGZ-Noord-Holland-Noord, nos Países Baixo. É também o diretor da Academia FIT (Flexible, Innovative Top-ambulatory), que dá formação e apoio a projetos internacionais de cuidados de saúde mental comunitários, e presidente da EUCOMS, uma rede europeia de serviços comunitários de saúde mental.
Se lhe tivessem perguntado há vinte anos qual era o seu foco, teria respondido psicose, mas foi nessa altura — e uma coisa não está desligada da outra — que se envolveu na abordagem comunitária da saúde mental e na mudança que isso implica na organização dos serviços e cuidados nesta área. É a esse trabalho que se tem dedicado — nos Países Baixos e em toda a Europa.

É presidente da rede europeia EUCOMS (European Community Mental Health Service Providers). Que rede é esta e o que faz, ao certo?
Somos uma comunidade de serviços de saúde mental de toda a Europa que querem aprender uns com os outros e partilhar as suas práticas. Trata-se de conhecimento que não se encontra nos livros, mas sim na prática diária. Temos membros participantes desde a Noruega a Portugal, da Irlanda à República da Moldávia e vemos a saúde mental comunitária como uma abordagem abrangente e integrada. O tema é demasiado vasto para ser tratado apenas pelos serviços de psiquiatria, diz respeito a todos nós. Por isso, defendemos uma abordagem em que o hospital psiquiátrico deixa de ser o centro dos serviços de saúde mental e esse lugar passa a ser ocupado pelos cuidados na comunidade, através das equipas comunitárias. São elas o coração dos cuidados.

A EUCOMS descreve seis perspetivas fundamentais que são a base desta abordagem. Que perspetivas são essas?
A saúde mental comunitária é, por definição, local. Pense em Portugal, por exemplo. A prestação de cuidados de saúde mental é necessariamente diferente se estivermos em Lisboa ou numa zona rural, porque o contexto e as circunstâncias são diferentes. É preciso conhecer a população. Há muitos idosos? Há muitos imigrantes de culturas diferentes? É preciso conhecer e lidar com o contexto local. Para isso, definimos seis perspetivas em que se baseiam os cuidados: defesa dos direitos humanos, adoção de uma perspetiva de saúde pública, foco na recuperação, intervenções eficazes baseadas na evidência, promoção de uma rede alargada de suporte na comunidade e experiência dos pares.

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