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“Vivemos a era do movimento” – Observador Feijoada

ByEdgar Guerreiro

Set 21, 2023

Quando há dez anos criaram Cascas d’Ovo, a primeira peça em conjunto, muito dificilmente os coreógrafos Jonas Lopes e Lander Patrick imaginariam estar agora celebrar um percurso em parte assente na notável comunicação telepática gerada entre os dois criadores – e que dava mote, precisamente, a essa primeira obra. À época, foi esse mesmo intuito criativo partilhado que os levou a iniciar um percurso singular, pejado de originalidade e de grande frescura, que rapidamente os colocou no panorama da dança contemporânea como dois nomes a reter para o futuro. Passada uma década, o motivo é de celebração: irão voltar a apresentar este mês de setembro Cascas d’Ovo (dias 22 e 24), mas também a peça Lento e Largo (dia 29) e a instalação-performance Coin Operated (22 e 24), no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.

Mas mais do que celebrar um percurso, dez anos servem também de mote para uma reflexão sobre o que já alcançaram e o que está por vir. De momento, explicam, o trabalho que fazem é cada vez mais pluridisciplinar. Nessa exploração sem fronteiras, convive a dança com a música e as artes plásticas e, chegados à “era do movimento”, como frisa Jonas Lopes, as suas peças são reflexos astutos do tempo que vivemos. Partiram de lugares diferentes. Jonas do fado (onde agora se está novamente a lançar como intérprete) e Lander do desporto (era federado em voleibol) para chegar à fisicalidade inerente das artes performativas. Encontraram-se na dança, chão comum e espaço de elo emocional, que não mais os separou. Em entrevista ao Observador, os dois coreógrafos – protagonistas de um trabalho coletivo que já se tornou uma marca de água para a nova geração de criadores nacionais neste domínio – dizem ter chegado a um momento de pausa na criação conjunta, onde a convivência artística estará sempre presente.

Abordam o seu processo criativo, a necessidade de formar públicos e programadores para a dança, mas também o que falta para melhorar a circulação das criações nacionais. Dizem-se entusiasmados com o futuro. “Acho que nunca vamos deixar de trabalhar juntos, porque a vida e a arte cruzam-se. (…) Mas esta colaboração acontece 24 horas por dia, porque nós estamos sempre a partilhar tudo o que nos vem à cabeça em primeira mão e ninguém me compreende como ele e vice-versa. Este explorar de novos campos também está a ser muito interessante para nós”, explica Jonas Lopes.

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