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Um ponto final no populismo – Observador Feijoada

ByEdgar Guerreiro

Set 24, 2023

Ao contrário do que podemos imaginar, o alargamento do direito de voto foi verdadeiramente revolucionário. Perante os apelos da mais elementar justiça, os receios eram variados: desde o desaparecimento de uma sociedade hierarquizada ao fim da ordem estabelecida; da degenerescência da cultura à perda da estabilidade social, fio condutor de uma vivência harmoniosa. Para os mais cépticos, as elites seriam postas em xeque e o Estado a ser governado por brutos. Já no século XX, a guerra 14-18 pareceu comprovar essa fatalidade e boa parte das boas consciências desejaram uma mão forte no Estado que impusesse a ordem. Não haveria outro caminho. O liberalismo estava morto e devia ser enterrado o quanto antes.

É claro que nada disto aconteceu. Passaram 100 anos e as elites continuam e até se diversificaram. Umas são políticas, outras de pendor económico, cultural e até existe uma elite social sem qualquer influência nas anteriores. Pertencer a uma não pressupõe fazer parte de outra. Ademais, qualquer pessoa pode integrar-se naquela em que mais se revê, desde que faça por isso. O conceito distendeu-se e perdeu a rigidez de outrora. Mas a ordem continua tal como antes. Tal como a produção cultural, que se desenvolveu e que deu origem a correntes e formas de expressar inimagináveis. Olhar hoje para os receios de há um século leva-nos a pensar como seria ‘se tivessem dado um tempo ao tempo’, embora seja fácil à distância, pois o que temos actualmente se deve (e foi conseguido) à custa dos erros e sucessos do passado.

A verdade é que os críticos alertaram para perigos que acabaram por suceder. Foi o custo que implicou ultrapassar e vencer esses perigos que os tornaram supérfluos.

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