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“O FC Porto é dos sócios, não é um quintal de ninguém”, aponta Villas-Boas, entre críticas e respostas a Pinto da Costa – Observador Feijoada

ByEdgar Guerreiro

Fev 26, 2024

Nada está definido mas as contas não estão propriamente fáceis. Com mais um deslize em Barcelos frente ao Gil Vicente, que conseguiu empatar no quarto minuto de descontos, o FC Porto voltou a perder terreno para o primeiro lugar na antecâmara de um clássico no Dragão com o Benfica. Mais: a diferença em relação ao segundo lugar, que está nesta altura na posse do Sporting e que confere entrada na terceira pré-eliminatória da Liga dos Campeões, também é grande. Por tudo isso, e no atual contexto financeiro, os azuis e brancos não têm um final de época fácil pela frente apesar do recente sucesso com o Arsenal na Champions. Antes dessa igualdade que pode ter peso naquilo que são as contas portistas a breve e médio prazo, André Villas-Boas, antigo treinador e candidato à liderança do clube, esteve na Casa do FC Porto de Ponte da Barca e abordou essa vertente económica, aproveitando para deixar algumas “farpas” a Pinto da Costa.

“O portal da transparência não é mais do que um comunicado à CMVM, o FC Porto é uma empresa cotada em bolsa. Ainda recentemente tivemos a apresentação do Relatório e Contas por parte da equipa de gestão financeira mas não saiu ainda o Relatório e Contas, algo totalmente fora do normal e totalmente fora de qualquer ética e transparência para uma empresa cotada em bolsa. O FC Porto continua a surpreender-nos nesse sentido e continua a tratar os associados como se fossem incompetentes. Ou seja, se há apresentação de Relatório e Contas, tem de haver divulgação para que todos percebam e entendam o que se passa no interior do grupo. O portal da transparência foi anunciado aos sócios com essa preocupação”, apontou o candidato numa sessão com cerca de 150 pessoas onde foi procurando responder a todas as questões.

“Não temos nada a esconder, todas as decisões estruturantes, sejam elas do ponto de vista negocial, de contratação de jogadores, do crescimento do grupo, têm que ser imediatamente anunciadas no portal da transparência, com o que as pessoas lucram, com os intermediários que às vezes estão no caminho, quem são, onde vai parar o dinheiro, são coisas que normalmente fazem parte de qualquer empresa que deseja e quer ser transparente. Às vezes, dá-me a sensação de que no FC Porto se esquecem que o FC Porto é dos seus sócios, não é de uma família específica, não é de uma pessoa específica, não é o quintal de ninguém. O FC Porto é dos sócios, deve servir os sócios e será sempre dos sócios. Essa é a nossa grande mais-valia”, referiu ainda a esse propósito, numa parte que mereceu muitos aplausos por parte dos presentes.

“Só um modelo criterioso e rigoroso de gestão nos permitirá chegar ao que queremos. É fundamental ganhar imediatamente, tornar o FC Porto campeão, e temos de ser rigorosos e criteriosos nas escolhas. Prevemos três mandatos para atingir a estabilização financeira. Nos últimos 20 anos ganhámos todos os troféus, mas o nosso tipo de expansão não permitiu crescer muito a nível social no País: 88% dos sócios do FC Porto são das regiões de Porto, Braga, Aveiro… Isso é muito curto, a centro e sul não há praticamente associativismo do FC Porto, a centro e sul resistem os bravos e os que têm grande identificação com o FC Porto”, destacou ainda nesse plano, colocando esse hiato de 12 anos até encontrar uma realidade diferente.

Em paralelo, e sem referir nunca diretamente o nome de Pinto da Costa, Villas-Boas aproveitou o momento para responder às criticas apontadas pelo atual líder no anúncio da sua recandidatura. “Há candidatos que pensam que vou vender o FC Porto a árabes e príncipes. Era o que mais faltava, não passa de uma rábula que alguns candidatos querem inventar. Quem vende neste momento parte do coração do clube é a atual administração do FC Porto. Não temos nenhuma intenção de vender o FC Porto mas sejamos claros: o FC Porto tem um passivo acima de 500 milhões de euros, nesta fase não é dono do seu destino. Temos grandes desafios pela frente na parte financeira”, realçou de novo sobre a situação financeira.

Por fim, e também perante mais uma pergunta vinda da plateia, o antigo técnico dos azuis e brancos passou ao lado do futuro de Sérgio Conceição mas explicando o porquê dessa posição esta fase da temporada. “Há perguntas que são delicadas o suficiente, não podem ser respondidas. O nosso objetivo é sentarmo-nos com a equipa técnica porque bem merece. Está uma época a correr e numa fase absolutamente fundamental, se pensarmos que há um FC Porto-Sporting a 28 de abril e a tomada de posse dá-se até 15 dias depois do ato eleitoral, são alturas decisivas, No ano passado perguntei porque é que um treinador que foi tricampeão nacional não tinha já renovado e estaria a ser deixado para o último ano a sua possível continuidade… O nosso objetivo é perceber neste momento quais são as preocupações do treinador, quais as suas ambições, o que deseja fazer no futuro e perceber as suas intenções”, destacou Villas-Boas.

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