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Melo foi à Assembleia dizer que não apresentou medidas sobre serviço militar como pena, mas acabou a dar exemplos de países que o fazem – Observador Feijoada

ByEdgar Guerreiro

Mai 8, 2024

O ministro da Defesa, Nuno Melo, foi esta quarta-feira à Assembleia da República defender-se sobre as teorias de que pretendia que os jovens que cometam pequenos delitos ingressem nas Forças Armadas, garantindo que foi alvo de fake news, mas acabou a apresentar modelos de outros países que utilizam sistemas deste género.

Depois de pedir que fosse transmitido o vídeo com as declarações que proferiu durante a Universidade da Europa, em Aveiro, no passado dia 27 de abril, Nuno Melo explicou que se sentiu a viver numa “realidade paralela” durante 24 horas quando percebeu a dimensão das suas palavras, notando que houve “interpretações delirantes“. E considerando que “Assembleia da República não é espaço para exercícios de ficção científica“, recusou-se a responder a algo que garante não ter dito.

“Não apresentei nenhuma medida, proposta, intenção ou qualquer estudo. No limite, emiti uma opinião. Estou aqui por algo que eu não disse e, no limite, por uma opinião“, assegurou o governante, explicando que enalteceu as Forças Armadas, “o que é um exercício de evidente justiça”, e que de seguida mostrou “preocupação em relação às vidas de muitos jovens que cresceram em contextos desfavorecidos”. Perante isto, considerou importante que a “Assembleia da República ajude país a combater campanhas de desinformação”, alertando que pode acontecer a qualquer político e recusando-se a tirar aproveitamento político nessas circunstâncias.

Henrique de Freitas, do Chega, ainda notou que “toda a gente sabe” o que o ministro disse e que “não valia a pena ter mostrado o vídeo”, mas realçou que todos têm “momentos infelizes”, sugerindo que Nuno Melo o teve, e que “não se pode perdoar” que o ministro da Defesa não defenda a “dignidade das Forças Armadas”.

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Os deputados dos vários partidos foram-se mostrando preocupados com o estado das Forças Armadas, pedindo medidas a Nuno Melo, que foi justificando que iria reunir com chefes militares e que, antes disso, não avançaria com propostas concretas. Garantiu apenas a certeza de que o Governo está empenhado em dignificar e investir nas Forças Armadas, desde logo com foco nas carreira e condições dos militares. Ainda assim, o ministro chegou a defender que o Governo “não vai conseguir resolver em 30 dias o que não se conseguiu resolver em oito anos”, numa referência à governação anterior do PS.

Pelo meio, o PSD, pela voz de Bruno Vitorino, ainda foi acusando o Chega de estar a fazer “fretes” ao PS com este tipo de situações e por contribuir para “desviar as atenções para o acessório e não para o essencial”. Já Luís Dias, do PS, criticou as “declarações infelizes” de Nuno Melo, por terem acontecido no contexto da Defesa Nacional.

Mas o ponto de viragem, até nas intervenções dos deputados, surgiu quando o ministro da Defesa resolveu dar exemplos de outros países em que são seguidos modelos idênticos aos que estariam em causa na sua intervenção.

A resposta surgiu após duras críticas à Iniciativa Liberal, designadamente pelo facto de Rui Rocha ter dito que era “inenarrável” a “intenção de ter criminosos de pequeno delito a fazer serviço militar”. Nuno Melo foi dando exemplos de países como os EUA, o Reino Unido, a Austrália ou a Nova Zelândia para questionar se a IL considera inenarrável o modelo seguido por estes países ou até se os considera “pouco recomendáveis”. Rodrigo Saraiva, deputado da IL, ainda reagiu para dizer que era “tudo muito poucocinho” e que o ministro estava “agarrado à polémica” em vez de dar respostas sobre a Defesa.

Logo depois da intervenção de Nuno Melo nestes termos, seguiu-se o Bloco de Esquerda, pela voz de Fabian Figueiredo, que frisou que seria uma “má importação” trazer esse tipo de exemplos para Portugal, sugerindo que “não maus programas” e que a “reinserção social se faz em programas de reinserção social e não na tropa”. E logo de seguida, António Filipe, do PCP, falou para dizer que “o senhor ministro ia muito bem e descarrilou quando veio dizer que há muitos países que mandam delinquentes para as Forças Armadas”.

Nuno Melo ainda ironizou para dizer que também procurou “em países comunistas” mas não viu lá “nada que se aproveitasse” e argumentou que “ver o que se passa no resto do mundo é bom”.



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